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Entrevistas

Tony Carreira

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"Não posso mentir: gosto de agradar as mulheres".

O Homem Que Eu Sou (editora Contraponto) é um livro onde fala sobre si sem se esconder, sem medos, onde se confessa...
T.C. Este é um livro onde falo de mim, porque acho que é isso que interessa. Claro que há uma parte pessoal que não podia ter deixado de fora, porque é a minha vida, mas quis muito mais alongar-me sobre a parte da carreira, porque penso que há coisas que são completamente desconhecidas, como as decisões que tomei, as reações que tive. E é também um agradecimento ao público. Por isso fazia muito mais sentido falar do público e da parte profissional.

Como lhe surgiu a ideia de contar aos leitores o homem que é?
T.C. Surgiu porque ao fim de 30 anos quis dar a conhecer o homem que sou tanto ao público que me conhece, o mais fiel, o que segue mais o meu trabalho, como também às pessoas que não seguem o meu trabalho da mesma maneira. Acho que é importante chegar a todas as pessoas de uma forma geral.

Depois do livro, para quando o filme?
T.C. O filme está neste momento seriamente a ser pensado. É um projeto muito interessante, inédito e muito bonito. E é algo que nunca fiz.

Quem olha para si no palco, vê uma pessoa cheia de confiança. Disfarça bem os seus receios, as suas inseguranças, ou não os tem?
T.C. Quando olho para mim no palco não vejo aquilo que provavelmente as pessoas veem: um homem cheio de confiança. Mas não é esse o caso. Claro que tento disfarçar quando estou inseguro, quando estou menos confortável, porque o espetáculo é isso. Quando me vejo, não me sinto uma pessoa cheia de confiança, mas esse é o meu olhar sobre mim, que é sempre muito crítico.

Deve ser fácil habituarmo-nos às palmas – e o Tony Carreira recebe-as em profusão. Alguma vez pensa, quando as ouve, nos altos e baixos da vida?
T.C. Nunca dei as palmas como um dado adquirido para sempre. Por isso, sempre vivi com algum medo de um dia não as ter. Porque a vida é feita disso: de altos e baixos. Ao longo dos meus 30 anos de carreira, pelo menos 20 foram sempre de grande sucesso e claro que o sucesso do meu trabalho é uma coisa de que eu gosto, pois é para isso que trabalhamos. Mas penso que nada é adquirido para sempre, daí que ache que isso me transmite uma força de trabalho maior, porque trabalho para continuar a ter sucesso, claramente, assumo-o. Mas obviamente que há sempre altos e baixos, a vida em si é isso...

No seu contacto com as pessoas, estas só lhe dizem coisas bonitas? Ou já teve algumas surpresas?
T.C. No meu contacto com o público, quando este vem para falar comigo fá-lo para dizer coisas bonitas. Acho que nunca me aconteceu alguém vir ter comigo para me dizer uma coisa feia. Aconteceu-me, sim, virem ter comigo para me dizerem: “Olhe, não gosto do seu trabalho, mas gosto muito de si”, por exemplo. Mas isso, no fundo, também acaba por ser um elogio. E surpresas, claro que já tive muitas. De todos os géneros…

Quando ainda andava por França, antes do sucesso, acreditava que um dia iria surgir o grande dia, o seu dia?
T.C. Claro que acreditava que podia acontecer, mas não tinha nenhuma certeza. Nunca tive. Nem hoje tenho a certeza de que amanhã vou ter sucesso. Esta é a minha forma de estar.

Como escolhe aqueles que o rodeiam e com quem trabalha e quer gravar? Ou a escolha não é sempre sua?
T.C. Quando escolho alguém para gravar, geralmente a aproximação é sempre feita porque gosto do trabalho dessas pessoas, mas depois, logo a seguir, entra a parte humana, que é muito importante para mim. E se eu não gostar dessa parte, geralmente a parceria fica por uma experiência só.

Vindo de um meio humilde valoriza o dinheiro de uma outra forma?
T.C. Nunca fui de dizer que queria ter muito dinheiro na conta bancária. Gosto daquilo que o dinheiro nos pode proporcionar e essa é a minha relação com o dinheiro: é poder comprar um quilo de maçãs ou um bife ou encher o depósito do carro sem que isso seja um problema em si. Não tenho a ideia de ter milhões. A minha relação com o dinheiro é no sentido daquilo que me pode despreocupar a cabeça.

A sua canção A Vida que Eu Escolhi denota uma força de vontade na concretização no caminho por que optou. Empenho, trabalho são as suas palavras de eleição?
T.C. Para termos sucesso, o talento, em termos de percentagem, se calhar é o número mais baixo, porque a percentagem de trabalho tem de ser muito maior. Porque o talento só por si não chega. Talentosos há muitos. É necessário mesmo trabalhar,
ter muito empenho e respeitar a profissão que elegemos e que temos a sorte de exercer. Sim, é preciso imenso trabalho para as coisas acontecerem e é justo que assim seja.

Neste momento da sua vida, com uma tournée que irá até meados de Novembro e um livro de memórias recentemente lançado, qual o motivo da fase sabática que anunciou?
T.C. Este ano estou a fazer uma tournée pela qual tenho um carinho muito especial, porque é comemorativa dos meus 30 anos de carreira, o que não é coisa pouca, e que vai encerrar com dois megaconcertos: a 10 de novembro no Multiusos de Guimarães e a 17 na Altice Arena, em Lisboa. E a seguir irá haver uma pausa, que anunciei, e que não tem tempo definido, não sei por quanto tempo vou parar. Agora estou apenas focado em festejar estes 30 anos de carreira em que o público me deu o privilégio de me acompanhar.

Este mês comemora-se o Dia Mundial dos Avós. Como se vê nesse papel?
T.C. Tento sempre ver o lado positivo das coisas e afinal sou um avô jeitoso e engraçado. Pelo menos a minha neta sempre que olha para mim ri-se com aqueles "olhinhos todos" e diz-me ao ouvido que eu sou um avô todo “xpto”.

Vai estar de novo presente no Festival da Comida Continente. Como descreve as suas participações nestes eventos ao longo dos anos e a sua relação com o Continente?
T.C. Tenho muito orgulho neste festival, porque fui o primeiro artista que o iniciou e durante oito anos fui, salvo o erro, o único artista que participou neste evento, que era um bebé e hoje já é um bebé grande. E mesmo no dia em que eu não
esteja presente, terei muito orgulho em ver que este evento continua vivo. Porque nasceu comigo, era um projeto pequenino e tornou-se num bebé gigante e proporcionou-me também uma relação maravilhosa de respeito, carinho e amizade com as pessoas do Continente com quem trabalho.

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