Tony Carreira | Chef Continente
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Entrevistas

Tony Carreira

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A comemorar 25 anos de carreira, o cantor continua a somar sucessos

Diz-se um privilegiado por comemorar 25 anos de carreira, sente-se orgulhoso do seu mais recente trabalho discográfico e confessa que o carinho do público lhe é fundamental. 

Tony Carreira, 49 anos, é um homem de bem com a vida e continua a somar sucessos.

Quais são os estilos musicais ou os músicos que mais o influenciaram?

T.C. Para mim, a música não se reduz a um estilo ou a um determinado músico. Sempre fui uma pessoa muito aberta e, portanto, independentemente do estilo, muita gente me influenciou vinda de áreas completamente diferentes. Com o passar do tempo a minha mente tem-se aberto cada vez mais a estilos diferentes.

Considera-se um embaixador da música portuguesa no mundo?

T.C. Espero é que os outros me considerem como tal e que seja um bom representante da nossa música. Mas, de uma certa forma, sinto que o tenho sido porque já cantei em inúmeros países. O público dirá se eu tenho representado bem a nossa bandeira. 

Entre todas as músicas que já cantou, há alguma que tenha um especial significado?

T.C. No momento de as gravar, todas elas têm. Depois, com o tempo, ganham um significado ainda mais especial. E há uma canção que, com o decorrer do tempo, se tornou quase um hino do meu reportório: Sonhos de Menino. Destacaria essa. 

Muitas das suas músicas têm um aspeto biográfico: essas minibiografias são todas verdadeiras ou há uma “pincelada” de ficção?

T.C. As canções que têm mais um aspeto biográfico são, por norma, aquelas que eu dedico ao público. Gosto de cantar histórias, sobretudo histórias de amor, sempre gostei, tanto como ouvinte como no papel de intérprete.

Acha que a música portuguesa atravessa uma boa fase?

T.C. Se em governos anteriores os músicos em Portugal já conseguiam fazer milagres, então agora fazem ainda mais, porque a música atualmente está completamente posta de parte, sem apoios. Por isso, é de louvar o que se consegue fazer. Eu não me posso queixar porque, graças a Deus, continuo a trabalhar, embora menos do que antes. Mas sei que há músicos neste momento a passar muito mal. É triste ver o estado em que as coisas estão, porque um país sem cultura (e neste caso falo da música) torna-se um país mais triste. Por isso não podemos considerar que esteja numa boa fase. 

As canções que têm mais um aspeto biográfico são, por norma, aquelas que eu dedico ao público. Gosto de cantar histórias, sobretudo histórias de amor, sempre gostei, tanto como ouvinte como no papel de intérprete.

Tony Carreira
num minuto

O filme da sua vida? Elejo o Amigos Improváveis.

Música de que mais gosta?
Há tantas canções bonitas! Destaco aquela que me marcou na vida e que foi das primeiras que aprendi a tocar na viola: Hotel Califórnia, dos Eagles. E também a Lágrima, da Amália.

Ser jurado dos Ídolos foi?... Foi muito bom, uma experiência maravilhosa.

A viagem da sua vida é?... Qualquer lugar onde esteja bem. Viajo muito em trabalho, por isso as primeiras foram as mais marcantes: África do Sul, Austrália…

Para si, a família é?... Tudo!

Um desejo?  Continuar a ser feliz.

Viaja muito pelo mundo e leva consigo a nossa língua. Como é a reação das pessoas à língua portuguesa e à nossa música?

T.C. A reação fora de Portugal é sempre muito boa. As pessoas que não são de origem portuguesa e que vão aos espetáculos têm ali uma forma de nos conhecer melhor. É muito bom ver que, por vezes, mesmo sem perceberem a língua a música lhes toca. Mas essa é a força da música. 

Na sua vasta experiência, teve a oportunidade de cantar com grandes nomes da música? Quem o impressionou mais?

T.C. Vivi uma experiência muito bonita, que foi trabalhar com o Toto Cotugno, um grande senhor da música italiana. Foi um momento muito, muito grande, sobretudo porque no meu início, na orquestra onde cantava e tocava guitarra, toquei muitas canções dele. Emocionalmente foi muito gratificante.

Este ano completa 25 anos de carreira. O que tem programado para comemorar esta data?

T.C. Muitas coisas, mas neste momento ainda não está nada totalmente definido. Gostava que esta tournée fosse uma festa. O meu público merece. Eu também mereço, pelo empenho. E apetece-me porque é sempre bom comemorar 25 anos. Sou um artista privilegiado por chegar aqui.

Deste quarto de século, quais são as melhores recordações?

T.C. Não vivo muito de recordações, não faz parte do meu feitio. Olho muito para a 

O que significa para si o carinho do público?

T.C. O carinho do público é tudo para qualquer artista que tenha dois dedos de testa e outros tantos de emoção. É para ele que nós trabalhamos, para o calor que nos dá, para as palmas. Um artista sem público não existe. Depois de dois meses a gravar um disco, depois de dois meses a ensaiar um concerto, o objetivo final é agradar às pessoas. 

É dos poucos artistas nacionais – senão o único – que enche as maiores salas do país e do estrangeiro. Como se sente quando entra num recinto absolutamente esgotado?

T.C. Claramente feliz. Embora em certas coisas não saiba qual a opinião que as pessoas têm de mim, confesso que não sou uma pessoa com excesso de confiança. Tenho os meus medos em cada disco e concerto que faço, tenho medo que as pessoas não gostem. É sempre bom sentir que elas estão à espera de um disco e que marcam presença para assistir a um concerto.

Está ligado a uma série de movimentos solidários e faz espetáculos para angariar fundos para os mesmos. O que o motiva para isso?

T.C. Acho que tenho o dever, enquanto figura pública, de ser solidário. Faço-o sempre que posso; gostava de o fazer mais vezes, mas nem sempre é possível. E sempre que o faço, fico muito feliz.

Tem um novo disco, Tony Carreira Essencial. Fale-nos um pouco desse trabalho.

T.C. É uma retrospetiva de 25 anos de carreira para a qual reorquestrei, com a orquestra Sinfónica de Londres, a maior parte das canções. São 25 temas, mais quatro inéditos. Mas o grosso do trabalho tem a ver com aquilo que fiz ao longo destes 25 anos. Não estão lá as canções todas, mas as que foram escolhidas representam bem a minha carreira. Foi difícil fazer este disco, pois tive muito pouco tempo para o gravar, mas deu-me muito prazer e orgulho-me do resultado final.

Aos 49 anos [feitos em dezembro passado] como perspetiva o seu futuro?

T.C. Não faço planos a longo prazo. Os meus planos são para amanhã e pouco mais. Mas espero, no futuro, não sofrer, não ter doenças. E o resto, se Deus quiser, há de correr bem.

Tem uma relação muito especial e estreita com o Continente. Como começou e o que tem a dizer do apoio que esta insígnia lhe dá?

T.C. O apoio que o Continente me dá é o apoio que eu também dou ao Continente. Para mim, as empresas são pessoas e ali está uma equipa com quem gosto de trabalhar. Claro que é um negócio: eu dou umas coisas e eles dão outras, eu dou canções e levo tangerinas e alfaces para casa [risos]. Esta parceria dura há tanto tempo porque são pessoas que me respeitam muito, da mesma forma que eu as respeito. Há uma cumplicidade sincera entre nós. Se deixar de existir esta parte humana (que é muito forte nesta ligação), a parceria com certeza desaparece. 

Sendo uma personalidade reconhecida do grande público, tem cuidados com a sua linha?

T.C. Sim, como muitos cozidos à portuguesa, feijoadas e muita bolacha maria [risos]. 

Diz-se que tem um talento especial para cozinhar…

T.C. Tenho a péssima mania de dizer que cozinho bem. E as pessoas que têm comido em minha casa dizem que está delicioso, mas isso é o que se diz quando vamos comer a casa dos outros. Se calhar ando um bocado enganado mas, em todo o caso, gosto de cozinhar.

Quais são os pratos que mais gosta de fazer?

T.C. Aquele que gosto de fazer é o que mais gosto de comer: feijoada à transmontana. Não sei se a faço bem, mas é o prato de que mais gosto.

Com uma vida tão ocupada sobra-lhe, de facto, tempo para preparar refeições para a família e amigos?

T.C. Sim. Quando gostamos de fazer algo, arranjamos sempre tempo. É quase uma prioridade na nossa cabeça. 

 Não vivo muito de recordações, não
faz parte do meu feitio. Olho muito
para a frente e muito pouco para trás.

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