Miguel Gameiro | Chef Continente
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Entrevistas

Miguel Gameiro

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Lançou o segundo disco a solo

Além de músico também é cozinheiro

Depois de 15 anos nos Polo Norte, Miguel Gameiro aventurou-se numa carreira a solo e lançou recentemente o segundo disco em nome próprio. Simultaneamente formou-se como cozinheiro e tem vivido outras aventuras a nível gastronómico, nomeadamente uma parceria com o Continente no Chef Online.

Três anos após o lançamento do primeiro disco (A Porta ao Lado) em nome próprio, surge agora o 11 Canções. Fale-nos um pouco deste trabalho.

11 Canções sucede a A Porta ao Lado que teve uma recetividade excelente por parte das pessoas. Gosto de fazer canções. Canções que marquem a vida das pessoas, que transmitam qualquer coisa. Só assim faz sentido gravar novos trabalhos, quando temos alguma coisa para dizer.

Como está a ser esta aventura a solo?

Está a ser isso mesmo, uma aventura. Fundei os Polo Norte aos 18 anos e foram 15 anos de muita estrada, muitas histórias e canções que ficaram na memória das pessoas. Quando lancei A Porta ao Lado não sabia qual seria a reação das pessoas. Foi muito positiva: mais de 14 000 discos vendidos; Dá-me um Abraço foi uma das canções com maior airplay de rádio e uma nomeação para os Globos de Ouro. Tem sido muito positivo.

A Porta ao Lado era por onde se entrava para encontrar as 11 Canções?

Penso que sim. É muito diferente escrever canções quando se faz parte de um grupo do que quando se está a solo. A solo as canções e as palavras, têm muito mais de nós. Mesmo sem ser intencional, acabamos por revelar muito do que somos.

São conhecidas as suas influências nacionais – Xutos & Pontapés, GNR, Delfins. E entre os artistas estrangeiros da sua juventude, quais seguia?

De tudo um pouco: Police, The Who, Queen, Radiohead, etc.

Depois de começar o grupo Polo Norte decidiu frequentar a Academia dos Amadores de Música. Não devia ter sido ao contrário?

A primeira vez em que peguei numa guitarra, depois de aprender os principais acordes, comecei logo a fazer músicas. Depois vieram as letras e quando dei conta já tínhamos quase um disco inteiro composto. Comecei assim a tocar de ouvido e depois achei importante perceber as bases.

Como foi o início? O habitual percurso de bares?

Os primeiros concertos foram no liceu. Depois fizemos alguns bares, mas não muito, porque passado pouco tempo já estávamos em estúdio a gravar.

Gosta mais de gravar em estúdio ou de dar espetáculos ao vivo? 

O palco é o maior fascínio. No palco temos as respostas imediatas. Os sorrisos, os aplausos, as pessoas a cantarem uma canção do princípio ao fim... O estúdio é interessante por ser um pouco de laboratório. É sempre grande a expectativa à receção das canções.

O disco 15 anos marca precisamente essa data na vossa carreira mas também o fim do grupo. Como ficaram as relações entre vocês?

Há sempre um desgaste natural decorrente de um percurso de 15 anos.

A canção da sua vida, ou a canção que marca um episódio marcante da sua vida… é sua, dos Polo Norte ou de outro grupo?

Lisboa Foi a primeira canção. O início desta aventura com quase vinte anos.

O palco é o maior fascínio. No palco temos as respostas imediatas. Os sorrisos, os aplausos, as pessoas a cantarem uma canção do princípio ao fim...
 

Em criança queria ser veterinário. Amor aos animais? Tem algum?

Sim. Desde criança, mas a matemática... Gosto muito de animais, especialmente da lealdade dos cães. Tenho dois gatos, um papagaio, dois canários e sempre tive cães, que são autênticos companheiros. Custa vê-los partir.

A sua avó fazia umas lulas recheadas fenomenais, consta. E parece que enquanto as fazia cantava o fado… 

É verdade. A minha avó foi uma mulher extraordinária. Uma vida dura de trabalho. Saía de madrugada, vendia leite de porta em porta e ainda ajudava a minha mãe com a casa e a cuidar dos netos. Fazia as melhores lulas recheadas do planeta e depois pedia-me para a ajudar a esmagar as batatas para o puré. Quando chegava da escola, era sempre muito bom entrar em casa e sentir aquele aroma das lulas. Sempre a cantar vários fados.

Foi a sua avó que lhe criou o gosto pela cozinha e pela música?

Penso que as grandes influências para quem gosta de cozinhar vêm das mães e das avós. Também é o meu caso. Às vezes, estava a brincar na rua a jogar à bola e largava tudo só para ir fazer bolos. Penso que na música também terá sido importante. Aliás, a primeira música que aprendi foi um fado humorístico. 

Como lhe surgiu a ideia de tirar um curso de cozinha?

Queria aprender mais. Queria perceber as bases e os processos. O saber empírico é importante, mas a formação é fundamental. Daí ter frequentado um curso profissional de ano e meio na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril.

Como concilia a carreia de músico com a de chefe?

Não gosto muito do termo "chefe". Prefiro "cozinheiro". Acho que o termo "chefe" se vulgarizou. Além disso, o termo subentende um cargo de chefia na área e não é o meu caso. Concilio bastante bem. É uma questão de organização.

Criou pratos para algumas das canções do disco Porta ao Lado, destinados ao público de uma rádio e com o patrocínio do Continente… 

Foi uma experiência muito interessante. Acho que também foi uma oportunidade para as pessoas que admiram o nosso trabalho poderem estar um pouco mais perto. 

As suas canções são fonte de inspiração para criações gastronómicas, ficou provado. E a inversa também acontece: um prato seu já inspirou alguma canção? 

Ainda não aconteceu, mas pode ser que aconteça. 

Tem sido convidado para dar workshops e formações na área da gastronomia. É uma experiência aliciante? 

Sem dúvida. Tal como na música, a cozinha é um ato de partilha. Poder partilhar ideias e conhecimentos é um privilégio. 

Entre a música e a culinária para onde pende mais o seu coração? 

Gosto muito de ambas as coisas. Apesar de já ser músico há quase vinte anos, continuo a ter o mesmo prazer de compor, gravar e de estar em palco. A cozinha é uma paixão mais recente, mas igualmente aliciante. 

Enquanto cozinheiro, o que pretende fazer no futuro?

Continuar a aprender cada vez mais e poder passar e receber conhecimentos. 

Abrir um restaurante está nos seus planos? 

Está sim, mas a carga fiscal, nomeadamente o Iva aplicado à restauração, é desencorajadora.

Tem uma parceria com o Continente numa vertente de culinária e música. Quer explicar como é? 

Reparte-se em várias iniciativas: Chef Online e alguns passatempos. 

Que prato mais gosta de cozinhar? E de comer?

Arroz de cabidela.

É um bom garfo? 

Sem dúvida! 

Qual o chefe que mais o inspira? 

Estrangeiro o Michel Roux Jr. e português, o Ivo Loureiro (restaurante Azeite & Alho).

Quem gostaria de convidar para almoçar/ jantar?

O Papa Francisco.

E para essa refeição o que prepararia? 

Peixe da nossa costa ao sal.

Miguel Gameiro num minuto

Livro de cabeceira: Life, de Keith Richards
Filme preferido: Cinema Paraíso
Sonho por cumprir: Ser pai
A viagem que ainda não fez: Japão
Estação do ano preferida: Primavera
Praia, campo ou montanha? Os três

A receita de Miguel Gameiro

PERDIZ NA TERRA

Ingredientes
› 1 perdiz
› 50 g de azeitonas
› 1 pão pequeno
› 100 g de batata palha
› 3 chalotas
› sal e pimenta q.b.
› ½ copo de brandy
› caldo de galinha q.b.
› 2 alhos
› louro q.b.
› azeite q.b.
› cenouras q.b.

Preparação
› Num tacho, coloque um pouco de azeite e deixe aquecer bem. Junte a perdiz arranjada e aloure-a de todos os lados.
› Retire do lume e adicione as chalotas picadas, as cenouras, o alho, o louro e tempere com sal e pimenta. Refresque com o brandy.
› Volte a colocar a perdiz no tacho e junte o caldo de galinha. Quando cozinhada, retire-a do lume e desfie-a. Coe o caldo.
› Leve as azeitonas ao forno a 80ºC e deixe-as secar. Toste o pão. De seguida, triture em conjunto o pão, as azeitonas e a batata palha.
› Ponha o preparado no fundo de um prato, coloque a perdiz por cima e regue com o molho. 

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