Maria João Lopo de Carvalho | Chef Continente
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Entrevistas

Maria João Lopo de Carvalho

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A escritora fala do seu mais recente livro, O Fado da Severa.

Entre romances, romances históricos, livros de crónicas, infanto-juvenis e manuais escolares, tem mais de setenta títulos editados. Recentemente lançou o seu quarto romance histórico, O Fado da Severa (Oficina do Livro), inspirado na história da mítica fadista da Mouraria e no amor proibido que viveu com o conde de Vimioso. Aos 56 anos, a escritora diz que mantém a boa forma com exercício físico e fechando a boca, mas tem no chocolate o seu guilty pleasure, confessa que as transgressões a inspiram e que tenta sempre fazer possíveis os impossíveis.

Que fascínio exerce Severa sobre si para a inspirar a escrever este livro, O Fado da Severa?
Como a Severa disse: “O fado sou eu”. Grande tributo presta o fado à poesia e aos poetas portugueses! Fui à procura das origens e, subindo as ruas da Mouraria, cheguei a casa da Severa, bati à porta e… tudo o resto é fado.

Com personagens reais e descrições fiéis à época, o que implica muita pesquisa, quanto tempo demorou a escrever esta obra?
Cada um dos meus romances históricos demora entre dois a três anos até ficar publicável; metade do tempo passo-o a pesquisar documentos de época na Biblioteca Nacional.

Que importância tem o fado na sua vida?
O fado é a alma portuguesa, nascemos embalados por esta melodia, em particular os lisboetas. Não me lembro de mim sem fado.

Disse que, além dos factos, esta é a sua Severa. De que forma a fez sua?
A minha Severa é fruto das leituras que fiz, da minha perceção, e sensibilidade; partindo das mesmas fontes cada um chegará à “sua” Severa.

Se "tanto é fadista quem canta como quem ouve", está mais para a voz ou para o ouvido?
Só para o ouvido! Eu não tenho voz, ou melhor, se tiver voz, essa voz serve-me apenas para a escrita!

Uma padeira (de Aljubarrota), uma marquesa (de Alorna) e agora uma fadista (a Severa) são protagonistas de três dos seus romances históricos. As mlheres fortes e carismáticas "procuram" a sua escrita?
Posso dizer que os meus romances são lidos sobretudo por mulheres, mas o que procuro é trazer à luz dos nossos dias mulheres do passado que tenham futuro: mulheres que são ainda hoje fonte de inspiração e de exemplo para outras mulheres.

Já sabe quem será a heroína do seu próximo romance histórico?
Vai ser uma saga familiar (acerca dos meus bisavós) passada na cidade da Guarda.

Foi coautora de Bons Garfos, Más-línguas. Quanto tem em si de um (Bom Garfo) e de outra (Má-língua)?
Acho que sou um mau garfo: a minha família proíbe-me de entrar na cozinha! Quanto à má-língua gosto de sal a mais, gosto de picante a mais… Toda a transgressão me inspira! Já o insonso…

Entretanto, não tem parado de escrever livros dedicados ao público infantil/juvenil. Vê-se que esta é uma área que lhe dá imenso prazer...
Escrever para a infância faz parte da minha natureza. Eu sou, naturalmente, uma escritora infanto-juvenil que um dia aceitou o desafi o de escrever um romance histórico (Marquesa de Alorna). Todos nós, crianças e adultos, gostamos de uma história bem contada, é isso que tento fazer.

Restaurantes a não perder?
Aqui perto de mim, em Lisboa, vou muitas vezes à cervejaria Sem Vergonha, na Av. Alvares Cabral, e à Maria da Mouraria, no Rua do Capelão, onde a Severa viveu. Gosto sempre de voltar atrás no tempo.

Qual é o seu lema da sua vida?
Apagar o prefixo “im” na palavra “impossível”.

Um destino que a marcou?
A viagem que fiz sozinha, sempre para Oriente, com paragem em todos os portos onde Camões esteve. Demorou dois meses e foi a inspiração precisa para escrever Até que o Amor me Mate - As mulheres de Camões.

 

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