Luísa Sobral | Chef Continente
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Entrevistas

Luísa Sobral

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"Estudar nos Estados Unidos foi um banho de humildade"

Concorreu ao Ídolos e até ficou bem classificada. Porque é que isso não foi um ponto de partida para a música?

Porque nunca é... Esses programas não são feitos para o cantor, não são feitos para nos ajudar a nós, são feitos para o público gostar. E a partir do momento em que o programa termina, o que interessa não é o cantor, interessa sim que o público esteja à espera do próximo programa. Mas o Ídolos confirmou aquilo que eu já sabia: que ainda tinha de encontrar a minha identidade musical. Estes programas
promovem a falta de identidade, porque somos praticamente obrigados a cantar todos os estilos. E um artista não é isso, não é uma pessoa que canta um pouco de tudo – isso é um cantor de casino. Quando achei que tinha encontrado essa identidade, então gravei o meu primeiro disco.
Mas isso só aconteceu cinco ou seis anos depois, porque eu não queria ser a Luísa Sobral dos Ídolos,
queria ser apenas a Luísa Sobral.

Mas foi útil participar?

Para mim não. Eu costumo dizer que ir ao  Ídolos foi uma experiência assim como ir à Índia.
No programa cantei de tudo, de Shakira a John Lennon. Cada vez acho mais que esses programas
são uma ilusão para as pessoas que participam. São até, um pouco cruéis.

Houve uma altura em que deixaram de graver com o vencedor e passaram a oferecer um curso no estrangeiro. Foi positivo?

Achei espetacular essa ideia. Porque quando uma pessoa ganha um concurso desses, não está preparada para gravar logo a seguir. É bom ir para uma escola e até é bom para o ego, porque numa escola começamos a ver que há muita gente com talento e aí ficamos muito mais humildes... Deve ser terrível acharmos que somos o melhor do mundo e não termos ninguém acima para quem olhar.

Acabou o liceu, digamos assim, e foi estudar para os Estados Unidos.

Não, eu acabei o último ano já nos Estados Unidos, fui num intercâmbio de estudantes.

E depois continuou lá, a estudar música. Como foi essa experiência?

Foi muito enriquecedora. Foi um banho de humildade e, ao mesmo tempo, um banho de confiança. Mostrar as nossas canções nas aulas é um exercício de humildade, é quase como mostrar o nosso diário! A minha escola tinha professors muito bons e alunos de todo o mundo e essa é uma das coisas melhores, contactar com pessoas que têm backgrounds musicais muito diferentes. Tínhamos brasileiros, colombianos... Imagine, cheguei a cantar com um grupo colombiano e até cantei fado, eu que nunca canto fado!
Foi uma experiência única que só pude viver porque tive uma bolsa de estudo, pois é uma escola de música contemporânea muito cara para um europeu.

Pode dizer-se, então, que aprendeu mais do que esperava?

Quando cheguei, achei que ia ser a pior pessoa da escola, a sério! Por acaso não fui, mas no fim isso já não importava, porque na música isso não se compara: como criei uma identidade musical, era diferente, éramos todos diferentes. Mas sim, aprendi muito mais do que esperava.

E depois disso acaba por pagar um disco, um EP...

Paguei um disco? Ah pois paguei! Isso foi um EP que gravei nos Estados Unidos, com o grupo que tinha na altura e com o qual até vim dar um espetáculo a Portugal, ao Super Bock em Stock , e quis ter uma coisa para mostrar pelos sítios por onde passasse, às editoras...

Seguem-se dois discos em inglês. Porquê gravar numa língua que não é a sua?

Durante aqueles anos o inglês foi a minha outra língua, era a única que falava lá, era a língua em que sonhava... Mas não gusto de dizer que os discos são em inglês, porque não o são inteiramente, também lá estão canções em português. Mas continua a fazer sentido para mim escrever em inglês, porque nós viajamos, vamos tocar lá fora... Quero ser, sobretudo, honesta comigo mesma e escrever na língua em que eu sinta que deve ser: se for inglês ou português é obra do acaso. Os primeiros foram maioritariamente em inglês, o último foi em português, o próximo não se sabe. Até pode ser em italiano.

O terceiro disco tem ainda uma outra língua, que é a dos “pês”...

É verdade! Mas essa é uma língua que pouca gente fala...

Trata-se de um disco exclusivamente para crianças?

Não é assim que eu o vejo. Acho que não é um disco para crianças, para mim é mais
um disco “sobre ser criança”. Tem memórias  minhas sobre a infância e outras que não são minhas mas que são histórias que eu ouvi quando era pequena, como o bullying , que faz parte da infância de hoje em dia, ou como é que uma criança vê a morte e a ausência que daí decorre, de forma que tento pôr-me na cabeça de uma criança. Mas isso não faz com que o disco seja só para crianças, acho que é um trabalho transversal e eu gostava que fosse tanto para as crianças como para os pais. E até agora tem sido essa exatamente a resposta que tenho tido.
Fiz um espetáculo na Alemanha em que uma senhora veio ter comigo, no final, para me dizer que tinha comprado um disco meu na Internet de que tinha gostado muito. E disse-lhe: O There’s a Flower in My Bed!  “Não”, respondeu ela, “uma coisa com pês...” “Mas isso é uma canção para os mais pequenos.” Ficou espantada (não devem ter a língua dos pês...) e eu contente, porque queria que o disco fosse assim transversal.


Todas estas línguas deixam no ar a possibilidade de vir a cantar numa outra?

Pode ser, eu adoro línguas. Falo italiano, espanhol, francês…Adoro aprender línguas. A minha mãe era tradutora-intérprete e eu acho que vem daí. E agora estou a aprender japonês! Se um dia for ao Japão, escrevo uma canção em japonês de certeza.

Cuida de si?

Sou vegetariana. Acho a melhor maneira de cuidar de mim. Partilho aqui convosco a minha receita de piza vegetariana.

E gosta de cozinhar?

Gosto de cozinhar um pouco de tudo, mas aquilo que mais aprecio é pastelaria, bolos e esse tipo de coisas.

Tenta apurar esse gosto?

Adoro fazer sobremesas e já fiz workshops para aprender a cozinhar melhor doces e sobremesas. Ainda há pouco fiz um de pastelaria francesa. Os vegetarianos, de uma maneira geral, acho eu, gostam de cozinhar, caso contrário não é muito fácil.

Luísa Sobral num minuto

A coisa mais importante num homem: ser verdadeiro.
O que gosta de fa zer nos tempos livres: viajar.
Filme preferido: Cinema Paraíso, de Giuseppe Tornatore.
Livro preferido: Os Maias. Não quando fui “obrigada” a lê-lo no liceu, mas depois de o ter relido por minha iniciativa. E Amor em Tempos de Cólera, de Gabriel García Márquez.
Viagem de sonho: Japão.
Compositor favorito: são dois: Paul McCartney e John Lennon.
Heroína da vida real: a minha mãe.
Palavra favorita: feliz.
Lema de vida: nunca me arrepender de não ter feito uma coisa. Antes essa que me arrepender de ter feito.

Quero ser, sobretudo, honesta comigo mesma e escrever na língua em que eu sinta que deve ser...

Piza Vegetarina

Ingredientes
massa de pão integral q.b.
tomate q.b.
azeite q.b.
manjericão q.b.
sal e pimenta q.b.
tomate-cereja q.b.
açúcar q.b.
polpa de tomate q.b.
queijo
mozarela q.b.
rúcula q.b.


Preparação

Estendo a massa. Faço um molho caseiro com tomate, azeite, manjericão em folha, sal, pimenta, açúcar por causa da acidez e polpa de tomate. Não trituro o molho, porque gusto de sentir os bocadinhos do tomate.

Ponho por cima da piza e levo ao forno. Quando está quase pronta, acrescento mozarela fresco por cima e volta ao forno mais uns minutos. Quando o mozarela começa a derreter, tiro do forno e decoro com tomate-cereja cortado aos bocadinhos e rúcula.

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