Jorge Corrula | Chef Continente
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Entrevistas

Jorge Corrula

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"Ser pai dá outro significado ao chegar a casa"

"Ser pai dá outro significado ao chegar a casa"

Tanto quanto sabemos, pretendia ser advogado... 

J.C. Não é bem assim... Ainda tentei o Conservatório e como não consegui entrar, fui para advocacia porque, na altura, era o curso que tinha maiores saídas profissionais. Mas só lá estive um semestre, porque entretanto me chamaram para um casting no Teatro da Trindade, era o Romeu e Julieta, fiquei e voltei a tentar o Conservatório. Dessa vez entrei e foi o começo de tudo. 

Na novela Sol de Inverno, que já terminou, você teve um papel muito simpático: é mesmo assim ou é interpretação? 

J.C. Não, não, não! Foi tudo interpretação! 

Tal como o poeta, na definição de Pessoa, também acha que o ator “é um fingidor”? 

J.C. Há umas mais do que outras, mas acho que há personagens que estão mais perto de nós e outras que estão mais afastadas. Essas que estão mais longe de nós acabam por nos tornar uns fingidores, sim. Porque não pode ser de outra forma: se queremos dar a imagem de outra pessoa, tal como o poeta dá imagens através das palavras, então temos de fingir, sim.

O Jorge e a Paula Lobo Antunes têm uma filha com dois anos. O que representou a chegada dela? Queria ser pai?

J.C. Sempre tive jeito para crianças, os meus sobrinhos e assim, mas nunca tinha cuidado de um bebé a tempo inteiro, como aconteceu com a minha filha. Uma coisa é ser tio e outra completamente diferente é ser pai: a responsabilidade é maior, o trabalho é maior, mas depois a recompensa também é maior... O que representou? Sei lá, acho que ainda continua a representar um crescimento também meu, pessoal, e dá um outro significado à chegada a casa, ao fim do dia, isso é verdade.

Beatriz é um bebé tão doce que a maior parte das vezes preferimos estar com ela... 

E tem jeito para ser pai ou, para si, as crianças não vêm com manual de instruções?

J.C. Não, eu acho que, de um modo geral, as crianças têm um manual de instruções. O que penso é que os adultos não têm manual de instruções, porque entretanto são poluídos com muita coisa. Mas acho que as crianças são seres muito simples, não são difíceis. É mais difícil lidar com adultos do que com crianças. E com a quantidade de informaçãoque existe em relação às crianças e à paternidade, só mesmo quem não quer ou não tem paciência é que não consegue cumprir os “serviços mínimos”... E eu julgo que tenho cumprido esses mínimos!

Portanto deu-se bem com as fraldas, os biberões, todas essas coisas?

J.C. Isso é o que menos trabalho dá! Isso é o mais básico dos básicos que um pai pode fazer. Eu e a Paula sempre partilhámos esse tipo de coisas, nunca se pôs aquela coisa de dizer “eu ajudo a Paula”, isso não existe. Eu só ajudo uma pessoa se o trabalho não for meu: neste caso eu também sou pai, portanto não estou a ajudar ninguém, estou a ajudar-me a mim e à minha filha. Foi sempre uma partilha, isso das fraldas, dos banhos... Isso são coisas tão básicas! Agora quando vamos passear ou brincar com uma bola no parque, isso é que é acrescentar qualquer coisa.

Diz-se que as raparigas têm uma ligação maior com o pai: acontece consigo e a Beatriz?

J.C. Ela tem um lado feminino que se notou desdemuito cedo, nos trejeitos e na maneira de se mexer. Mas não é só comigo: é com os homens em geral, acho que lhes dá um tratamento especial...

Um filho muda as nossas rotinas, a nossa forma de viver. Como é que o Jorge e a Paula fazem para ter o vosso espaço e o vosso tempo?

J.C. Pois... A Beatriz ainda não está no infantário, só irá em part time no final do ano. Fizemos questão de a manter em casa, em família, a brincar num outro ambiente que não seja só o infantário. Há pais que não têm essa possibilidade, mas felizmente nós tivemos essa oportunidade de não mandar logo a nossa filha para o infantário. Acho uma violência para a criança, eles precisam de estar perto dos pais, de sentir o afeto nos primeiros tempos de vida. Mas temos tido o cuidado de ter tempo para nós, porque eles sentem a felicidade.

Têm, portanto, tempo para jantar, sair, etc.

J.C. Exato. Às vezes saimos juntos, outras cada um de nós sozinho, para quando estivermos com ela estarmos a 100 porcento. Mas temos esse cuidado de estarmos sozinhos, porque para além de sermos marido e mulher, somos também seres individuais. E só podemos ser felizes se estivermos bem connosco. Mas confesso que a Beatriz é um bebé tão doce que a maior parte das vezes preferimos estar com ela...

Vocês são os dois atores. Ser ator em Portugal é fácil e compensa?

J.C. Acho que ser ator não é fácil em parte alguma do mundo. Toda a gente sabe que os ordenados em Portugal são baixos em relação à média da União Europeia. Nem sequer vou falar da indústria cinematográfica: nós produzimos cinco filmes, às vezes nem tanto, e pagando muito, muito mal, posso garantir. E até a publicidade baixou muito. Fala-se nas reduções de ordenados na Função Pública, mas se lhe fosse falar na redução dos ordenados dos atores de televisão, teria de lhe dizer que aí essa redução é de dois dígitos... O retorno material é bom, não vou ser hipócrita, mas só é bom se tivermos trabalho constante. 

Como mantém a forma física? Faz exercício? 

J.C. Tenho um grupo de amigos que se junta semanalmente para jogar futebol, de que gosto muito. Para além disso, faço o esforço para correr duas noites por semana, na rua. Também vou ao ginásio, mas é muito menos frequente.

Quais são os seus prazeres na vida? Comer, por exemplo 

J.C. Eu não passo sem periodicamente comer bem, e comer alentejano. Comer ora migas, ora carne de porco à alentejana, sopa de tomate, de cação... Há imensos pratos. As minhas raízes são alentejanas, mas já experimentei a gastronomia de todo o país e, para mim, não há como a comida do Alentejo. Depois gosto muito de cinema, de teatro e de fotografia, que é um hobby que tenho explorado nos últimos anos.

E esse seu lado alentejano fá-lo preferir um restaurante ou a comida caseira?

J.C. Não é difícil encontrar um bom restaurante alentejano em Lisboa ou arredores. Mas há restaurantes que só no Alentejo é que se consegue perceber na totalidade aquela riqueza de paladares e condimentos: para se ter isso tudo é mesmo preciso ir ao Alentejo.

Sabe cozinhar?

J.C. Eu sei cozinhar, mas pouca coisa. O meu almoço hoje foi muito básico: abri uma lata de feijão-frade, cozi um ovo e abri uma boa lata de atum.

É que lhe ia pedir uma receita...

J.C. Ah pois! A minha receita é abrir o frigorífico e ver o que lá tenho... A não ser que cozinhe para amigos; se for esse o caso, faço uma lasanha de beringela.

Jorge Corrula num minuto

Um livro: será sempre O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway.
Um filme: vai ter de ser um filme de sempre, o Cinema Paraíso, de Giuseppe Tornatore.
Com quem gostava de partilhar o palco: já partilhei, com o João Perry, que foi um orgulho. Com o Miguel Guilherme.
Viagem de sonho: só descobri quando estava lá, em Florença.
Restaurante preferido: são dois, O Padeiro, em Estremoz, e a Tasca do Celso, em Vila Nova de Milfontes.
Virtudes e defeitos: o meu defeito é ter mau feitio, a minha virtude é a perseverança.

A receita do Jorge Corrula

LASANHA DE BERINGELA

INGREDIENTES 

> 1 embalagem de massa de lasanha pré-cozida
> beringela q.b.
> cebola q.b.
> azeite q.b.
> tomate q.b.
> basílico q.b.
> queijo ricota q.b.
> queijo ralado q.b.

PREPARAÇÃO

> Faça um refogado com cebola picada e azeite. Acrescente a beringela cortada em cubos, misture e deixe cozinhar durante 20 minutos, em lume brando. Junte o tomate e o basílico e deixe cozinhar mais um pouco.

> Faça camadas com as folhas de lasanha e o preparado anterior e acrescente o queijo ricota entre cada camada.

> Polvilhe a última camada com um pouco de queijo ralado e leve ao forno a gratinar.

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