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Entrevistas

Jamie Oliver

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"Sinto muito orgulho do meu novo livro"

“Sinto muito orgulho
do meu novo livro”

É apaixonado pela cozinha, empenhado no combate à obesidade infantil, criador e mentor de uma escola que forma jovens na área da culinária e autor de livros de sucesso. Jamie Oliver, que acaba de lançar Refeições em 15 Minutos, falou em exclusivo para a Continente Magazine.

Já concebeu receitas para serem confecionadas em 30 minutos e agora apresenta-nos, no seu novo livro (ver caixa na página 15), receitas em 15 minutos. É possível escrever um outro livro de receitas ainda mais rápidas?

J.O. Não, acho que esta foi a última vez em que fiz um livro em que as receitas têm um tempo de preparação. A razão por que fiz este foi pelo facto de as pessoas terem gostado muito das refeições em 30 minutos. Mas um outro grupo, bastante numeroso, disse-me que costumava confecionar as refeições à sexta-feira ou a um sábado, porque eram bastante grandes para uma refeição de dia da semana. Por isso quis fazer um livro de receitas com o qual as pessoas pudessem cozinhar as suas refeições todos os dias e sentir-se confiantes em relação a elas, porque saberiam que elas seriam rápidas, saborosas e nutritivas.

Receitas rápidas e receitas saudáveis são conceitos compatíveis?

J.O. Completamente. Esta foi a primeira vez em que fiz uma análise nutricional de todas as minhas receitas e, exactamente por essa razão, este foi muito provavelmente o livro mais difícil em que trabalhei, mas sinto-me muito orgulhoso do resultado. Tive o meu nutricionista a olhar por cima do meu ombro o tempo todo e conseguimos chegar a um equilíbrio notável em todas as receitas.

Quando falamos de “receitas rápidas” isso significa que são fáceis de cozinhar?

J.O. Elas são todas fáceis de cozinhar, mas as pessoas têm de seguir mesmo as instruções. E eu não me preocuparia com o facto de uma pessoa não conseguir confecionar um prato em 15 minutos exatos da primeira vez que tenta fazê-lo, porque isto não se trata de uma corrida… Mas quanto mais uma pessoa entra no ritmo a que funciona uma refeição de 15 minutos, mais rapidamente ela conseguirá fazê-la.

Eu não me preocuparia com o facto de uma pessoa não conseguir confecionar um prato em 15 minutos exatos da primeira vez que tenta fazê-lo, porque isto não se trata de uma corrida…

guir confecionar um prato em 15 minutos exatos da primeira vez que tenta fazê-lo, porque isto não se trata de uma corrida… Mas quanto mais uma pessoa entra no ritmo a que funciona uma refeição de 15 minutos, mais rapidamente ela conseguirá fazê-la.

Numa receita, a rapidez com que é feita implica ingredientes mais caros?

J.O. Não, em absoluto. Analisei os preços de todas as refeições e têm todas custos razoáveis.

Costuma dizer-se que a rapidez é inimiga da perfeição: este seu livro vem provar o contrário?

J.O. É exactamente isso. A não ser que queira coisinhas pequenas de nouvelle cuisine, as receitas que compõem este livro vão parecer e ter um sabor fantástico. E, no entanto, são pratos de todos os dias.

O prazer de cozinhar não desaparece com esta sua apologia da rapidez?

J.O. Na minha opinião há uma enorme quantidade de prazer a ser conquistada com esta forma de cozinhar, mas se uma pessoa quiser fazer as receitas de uma forma mais lenta, também resultam. Eu gosto de uma peça de carne assada lentamente, e de a cozinhar ao fim de semana, que é quando disponho de mais tempo. Mas quando acabamos de chegar a casa, vindos do emprego e temos diversas bocas para alimentar, é nessa altura que as refeições em 15 minutos constituem uma verdadeira salvação.

A comida pode realmente mudar a vida das pessoas? De que forma e como?

J.O. De imensas maneiras. Na minha opinião, a educação em relação à comida é a coisa mais importante: se ensinarmos às nossas crianças tudo o que há a saber sobre comida saudável, nutrição e aquilo que é melhor para as suas bocas, então estaremos a caminhar na direção correta no que diz respeito à crise global da obesidade e que constitui um gigantesco problema em todos os países.

Foi sempre cuidadoso com a comida?

J.O. Eu fui bastante parecido com qualquer outra criança: gostava de doces e coisas assim. Mas como cresci num pub e estava sempre rodeado de comida deliciosa, acabei por ter uma educação prática no que dizia respeito a boa comida e bons alimentos.

Guarda algumas memórias de infância que estejam relacionadas com comida?

J.O. Lembrar-me-ei sempre do cheiro da galinha no forno da minha mãe, ao domingo. É um dos meus cheiros favoritos, ainda agora.

Fale-nos um pouco do Projeto Fifteen...

J.O. Este é um projeto que fez dez anos, este ano, em novembro, e temos estado a celebrar essa data, desde o princípio do ano, com imensos eventos e outros acontecimentos. Pegámos, por exemplo, no nosso 12.º grupo de jovens e fomos assistir à graduação do 11.º grupo, o que foi fantástico. Isto significa que, até agora, já treinámos um total de 121 jovens que se vão tornar chefs.

Entre os diversos elementos dos grupos do Projeto Fifteen fica sempre uma relação parental-filial?

J.O. É evidente. Tomamos sempre conta dos nossos aprendizes bem como dos nossos graduados e eles próprios sabem que a nossa equipa está sempre presente para os ajudar, no que quer que seja.

Algum dos estudantes que integrou esses grupos conseguiu ter um cargo importante nas cozinhas de todo o mundo?

J.O. A esmagadora maioria dos graduados ainda trabalha nesta indústria e alguns dos que se formaram há mais tempo são agora chefs, alguns deles até com estrelas Michelin. Um desses formados, Tim Siadatan, tem o seu próprio restaurante em Islington, Londres, e está a sair-se extremamente bem.

Na minha opinião, a educação em relação à comida é a coisa mais importante: se ensinarmos às nossas crianças tudo o que há a saber sobre comida saudável, nutrição e aquilo que é melhor para as suas bocas, então estaremos
a caminhar na direção correta...

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