Iva Domingues e Rita Ferro Rodrigues | Chef Continente
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Entrevistas

Iva Domingues e Rita Ferro Rodrigues

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Mulheres muito capazes

Como surgiu a ideia para o vosso site, que completa um ano em dezembro?
I.D.O Maria Capaz não surgiu por acaso. Eu e a Rita temos uma amizade já longa e nas amizades há muitas coisas em comum: a forma de estar, os mesmos valores... Somos as duas muito felizes a fazer televisão, mas é uma área que não nos permite trabalhar mais aprofundadamente em entrevistas ou debates sobre temas que nos dizem muito, entre os quais a igualdade de géneros. E ambas recebíamos nas nossas páginas pedidos de ajuda de todos os tipos: mulheres abusadas que não sabiam a quem recorrer, mulheres que se sentiam descriminadas no trabalho... E às tantas perguntámo-nos: porque não arranjar um sítio (literalmente) em que possamos ambas fazer aquilo que gostamos de fazer e que não
conseguimos fazer na televisão: entrevistar mulheres, criar um debate à volta da igualdade de género, etc.?

O nome é muito bom...
É, mas foi inspirado numa música da Capicua. Sou grande fã dela e achei que a expressão traduzia o espírito do sítio.

E não acham que o Capaz traduz uma certa necessidade de afirmação?
I.D. Mas é isso que se pretende! Numa sociedade em que ainda se nota muito o sexismo e até machismo, é preciso recordar que as mulheres são igualmente capazes. De tudo! E não se percebe porque é que na área económica, na area de decisão estão tão poucas mulheres, porque as mulheres são tão capazes como os homens.
F.F.R. Este é um site que se assume feminista e que promove a igualdade de género e que quer chamar a atenção para alguns temas que estavam um bocadinho arredados da agenda pública, digamos assim. Um desses temas é o da igualdade salarial: quando falamos de feminismo é igualdade de direitos cívicos, que as pessoas pensam que estão adquiridos em Portugal mas infelizmente não estão. Mas não fica pela diferença salarial: tem também a ver com a condição feminina, a maternidade, a saúde...

As duas têm filhos ainda jovens: não acham que esta questão de igualdade se resolve (e se resume) a uma questão de educação?
I. D. Claramente! Mas é isso mesmo: tanto a Leonor como a Carolina têm plena consciência da sua liberdade de expressão e liberdade de opção, da consideração por si próprias, que as oportunidades têm que ser iguais para todos, na base do respeito. E sobretudo na base da justiça. E isso começa nos infantários e nas escolas. E no dia em que o Maria Capaz não for necessário, nós seremos muito felizes.
R. F. R.  É tal e qual isso. Por isso mesmo é que o próximo passo da nossa plataforma (porque já não estamos apenas no âmbito online ) é concretizar alguns projetos no terreno. Esse é o nosso objetivo para este ano: enquanto a igualdade de género não for quase uma disciplina (que devia ser Educação Cívica e Igualdade de Género) nas escolas, que não existe, nós vamos tentar fazer parcerias com escolas e universidades para podermos começar o debate da forma mais simples e eficaz que pode haver – junto das gerações mais jovens.

Não se pode ver este site como o local para uma guerra dos sexos?
I. D. Não, pelo contrário. Nós celebramos a diferença, ainda bem que somos diferentes! Queremos é ter as mesmas igualdades, direitos e oportunidades.
R. F. R. Claro que não! Essa guerra de sexo, em Portugal não é muito visível porque a situação da mulher é muito menos dramática do que no resto do mundo, quando comparada à situação das mulheres e crianças que são vítimas colaterais da guerra. Nós vamos, de resto, fazer com as nossas formadoras aquilo a que se poderá chamar “sessões de esclarecimento”. Porque se fala muito na violência doméstica e raramente se refere que a violência no namoro tem números aterradores que vêm sempre a subir.


E a vossa vida profissional, como está?
I. D. Está ótima: continuo a fazer o programa seminal Somos Portugal, que está há quatro anos no ar, está de boa saúde, continua a ganhar as audiências, portanto...
R. F. R. Na SIC está tudo maravilhoso.

Era isso que gostavam de fazer, ou apetecia-lhes outra coisa?
R. F. R. Claro que gostaria de fazer outras coisas e a SIC sabe isso perfeitamente. Mas também temos de perceber como é que os mercados funcionam e, sobretudo, o privilégio que é neste momento ter trabalho. E isso é algo que eu valorize muito. Gosto muito do programa que faço aos domingos: viajamos pelo país todo, conhecemos a gastronomia, a cultura, as tradições e tudo isso junto, ao fim de dois anos e meio, é uma coisa que enriquece imenso. Mas terei de esperar pelas oportunidades.
I. D.  O ser humano é naturalmente insatisfeito, procura sempre coisas novas para fazer... Dou o meu máximo, procuro divertir-me, mas claro que espero que surjam projetos desafiantes. E ao fim de quatro anos, se calhar não me importava de fazer mais coisas, até porque sou capaz de as fazer.

Têm uma vida social intensa?
I. D.  Não, sou muito caseira. Já tive, mas agora já não tenho muita paciência... Tenho os meus
compromissos, que podem parecer sociais, mas  que são meramente profissionais. Prefiro receber
amigos em casa ou jantar em casa de amigos.
R. F. R.  Eu, tal como a Iva, também já não tenho muita paciência para os compromissos sociais. O trabalho, o Maria Capaz e a família absorvem-me muito e dão-me muita satisfação.

‘Eu e a Rita temos uma amizade já longa e nas amizades há muitas coisas em comum: a forma de estar , os mesmos valores ...’

Como é que tratam de vós? Têm cuidados especiais?
R. F. R.  O que eu procuro é ter sempre um estilo de vida saudável. Faço desporto quando posso (por acaso agora até nem posso, pois lesionei-me), tento ter uma alimentação saudável e equilibrada (por acaso agora ando a comer demais) e como de tudo e gosto de beber um copo de vinho, não me privo de nada, mas também não exagero. E tenho alguns cuidados básicos comigo, porque me interessa mais sentir-me bem do que estar bonitinha.
I. D.  Tenho, sempre tive. Sempre fui desportista desde miúda. Comecei, muito pequena, por fazer
natação, depois veio a patinagem artística, fui federada em voleibol e estive quase para seguir desporto na escola. Gosto muito de desporto. Durante muito tempo corri, mas agora os meus joelhos dizem que não posso correr mais. Cuidados com a alimentação: evito os fritos, que é coisa que lá em casa não há. Mas há muita verdura, muita sopa! Como bastante peixe e uso pouco sal, um hábito que me ficou do meu pai.

A receita da Iva
Frango com sopa de cebola

Ingredientes
sopa instantânea de cebola
1 pacote de natas
peitos de frango q.b.

Preparação
Corte os peitos de frango em cubos, coloque-os num prato de forno.

Polvilhe com o a sopa, regue com as natas e leve ao forno durante 20 minutos. Sirva com arroz de manteiga e açafrão.

Respostas rápidas

Coisa mais importante num homem?
O caráter.
Atividade favorita?
Estar com a minha filha.
Onde gostava de viver?
Se pudesse, era um ano ou dois aqui, um ou dois noutro sítio...Até dar a volta ao mundo.
Cor favorita?
De inverno preto, no verão branco.
Um autor?
Fernando Pessoa.
Heroínas da vida real ?
A Rita podia ser... A minha mãe. Todas aquelas que abriram caminho para que possamos estar aqui a lutar pela igualdade.

A receita da Rita

Empadão de alheira

Ingredientes
alheiras q.b.
puré de batata caseiro q.b.
esparregado q.b.
ovos de codorniz q.b.
óleo q.b.

Preparação

Frite as alheiras em óleo, retirando-lhes a pele e depois desfaça-as.

Coloque num tabuleiro de forno uma camada de puré, uma camada de alheira e uma camada de esparregado. Repita até acabar os ingredientes. Leve ao forno para aquecer.

Frite ovos de codorniz em óleo. Ao servir, coloque por cima de cada dose um ovo estrelado.


Respostas rápidas

Coisa mais importante num homem?
A integridade.
Atividade favorita ?
Amar.
Onde gostava de viver ?
Em Lisboa, adoro a minha cidade.
Cor favorita ?
Azul.
Um autor ?
Gabriel Garcia Márquez.
Hero ínas da vida real ?
Todas as mulheres que, no seu tempo, lutaram pelos meus direitos.

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