Filipa Range | Chef Continente
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Entrevistas

Filipa Range

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A autora do blogue A Cozinha Verde acaba de lançar um livro onde dá a conhecer a gastronomia vegan.

Investiu numa pós-graduação em Gestão Hoteleira e, em 2013 e com a descoberta do veganismo, descobriu também uma nova paixão, a cozinha. Estavam criadas as condições para deixar o emprego e iniciar uma nova vida, dedicando-se a tempo inteiro ao blogue A Cozinha Verde, um projeto que concebeu com o objetivo de inspirar outras pessoas para um estilo de vida mais saudável, ecológico e compassivo. A par do blogue, Filipa dá workshops, showcoockings e aulas de cozinha vegetariana ao domicílio, tem um serviço de catering 100% vegetal e acaba de lançar Desafio: Vegan em 15 Dias (Influência), um livro maravilhoso, com 75 receitas de fazerem crescer água na boca.

Aos 25 anos, o documentário Earthlings levou-a a optar pelo veganismo. Porquê?
Decidi adotar uma alimentação e estilo de vida vegan em 2013 depois de assistir a esse documentário, que aborda toda a temática da exploração animal e o seu impacto no planeta e na nossa saúde. A mudança aconteceu de um dia para o outro. Estudei (e estudo) bastante sobre nutrição para fazer a transição de forma segura e comecei a procurar alternativas para os produtos do meu dia a dia (roupas, cosmética, produtos de limpeza, etc.).

Quando nasceu a sua paixão pela culinária?
Surgiu por necessidade. Quando adotei uma alimentação 100% vegetal tive de aprender a cozinhar novos pratos e a incluir no meu dia a dia alimentos que até então nunca tinha utilizado. Descobri um novo mundo de sabores e possibilidades e apaixonei-me pela cozinha vegan.

Qual a sua filosofia na cozinha?
Quando crio receitas, o meu objetivo é que estas sejam práticas, saudáveis e saborosas. Vivo uma vida bastante corrida e a juntar o facto de ser mãe de um bebé de três anos, quanto menos horas passar na cozinha melhor. Sabendo que esta é a realidade da maior parte dos portugueses, as receitas que apresento (nos workshops, livros e blogue) têm sempre como base esta premissa. Privilegio os alimentos da época e locais, de forma a reduzir a pegada ecológica e o custo associado.

O que a levou a criar o blogue a cozinha verde?
A Cozinha Verde surgiu pouco tempo depois da minha mudança alimentar, com o objetivo de inspirar os portugueses a adotar hábitos alimentares mais saudáveis, ecológicos e compassivos. Comer é, sem dúvida, um ato político e com este projeto pretendo dar a conhecer os benefícios desta alimentação e estilo de vida, não só na nossa saúde, mas também o seu impacto no meio ambiente e nos ecossistemas.

O que é o vegan em casa?
O Vegan em Casa é um dos serviços que A Cozinha Verde disponibiliza na área da Grande Lisboa, e que consiste num workshop, showcooking ou aula de cozinha vegetariana ao domicílio, para que possa aprender mais sobre a cozinha vegan. Este serviço é personalizado e feito à medida do cliente, consoante o tipo de experiência que pretenda.

O que não pode faltar no seu frigorífico e despensa?
No frigorífico tenho sempre muitos vegetais (estes devem representar cerca de metade de um prato equilibrado) e frutas. Na despensa: leguminosas, cereais, frutos secos e sementes e condimentos para dar ainda mais sabor aos pratos.

Tem  também um serviço de catering...
A Cozinha Verde oferece um serviço de catering 100% vegetal, sendo que é nesta área que estamos a apostar mais recentemente. Desde festas de aniversário, eventos corporate, casamentos ou ativações de marcas, criamos menus personalizados após um briefing com o cliente e tratamos de todo o serviço associado.

Lançou, recentemente, o livro Desafio: Vegan em 15 dias (Editoria Influência). Pode falar-nos sobre esta obra?
Este livro tem como principal objetivo dar a conhecer a cozinha vegan de uma forma descomplicada, com receitas para todos os gostos. A pensar nisso, elaborei um plano minucioso para 15 dias, com receitas para os vários momentos do dia: pequeno-almoço, snack da manhã, almoço, snack da tarde e jantar. São 75 receitas variadas e pensadas para as necessidades específicas de uma dieta que se preocupa com a saúde e com o planeta.

Um destino que definitivamente a marcou?
Tailândia. Identifico-me muito com alguns aspetos da cultura oriental, e quando viajo gosto de sair da minha zona de conforto e conhecer realidades bem diferentes da nossa. Além disso, adoro a gastronomia!

Qual o ingrediente culinário que considera mais versátil?
É difícil escolher apenas um ingrediente, pelo que escolho um grupo de alimentos: as leguminosas. Pelo seu excelente valor nutricional e importância na alimentação vegetariana e também pela sua versatilidade. Podem ser utilizadas em sopas, hambúrgueres e outros pratos vegetarianos, pastas de barrar e até sobremesas!

Qual é o seu guilty pleasure?
Manteiga de amendoim (100% natural).

Quais os seus pratos preferidos?
Tenho tantos! Adoro pratos de conforto e iguarias tipicamente portuguesas e, por isso, costumo recriar muitas vezes receitas conhecidas numa versão 100% vegetal. Alguns exemplos de receitas que adoro: canja de pleurotus, feijoada, cozido à portuguesa, tofu e alho-francês à Brás, cogumelos à Bulhão Pato, saladinha de “polvo”.

Uma paixão para a vida?
O meu projeto (não gosto de lhe chamar trabalho, apesar de o ser), que é também o meu propósito de vida: inspirar à mudança de paradigma e fazer a minha parte para deixar ao meu filho um mundo melhor para viver.

Um lema de vida?
Viver de forma consciente. Fazemos parte de um todo, que deve ser considerado em cada ação que tomamos, tantas vezes de forma involuntária. Estar consciente do impacto que as nossas ações têm na nossa vida, na vida dos que nos rodeiam e no planeta.

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