Ella Woodward | Chef Continente
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Entrevistas

Ella Woodward

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Há cinco anos uma síndrome rara mudou a sua vida e levou-a a encarar de uma nova forma a comida e a dieta. Pode descrever este processo que provocou uma grande agitação no seu regime alimentar?
Tudo começou em Junho de 2011, em que acordei a sentir-me muito mal: o meu estômago fazia parecer que estava grávida de seis meses, sentia-me exausta, tinha palpitações no coração e as sensações de estar de ressaca. Nos quarto meses seguintes estes sintomas pioraram gradualmente, ao
mesmo tempo que entrava e saía do hospital sendo vista por demasiados médicos e fazendo inúmeros testes. Ninguém percebia o que estava mal e, nessa altura, comecei a perder a visão sempre que me punha de pé, não conseguia comer nada sem ter dores e mal podia sair da cama. A certa altura foi-me diagnosticado o Síndrome de Taquicardia Postural, que é uma doença crónica que afeta o sistema nervoso autónomo, fazendo com que a maior parte dos sistemas do corpo não funcionem como deviam: não podia controlar o ritmo cardíaco, a circulação, digestão, sistema imunitário, etc. Tentei a medicina convencional durante cerca de seis meses mas, infelizmente, não me ajudou e ainda estava limitada à cama a maior parte do tempo. Decidi então curar-me com a comida. De um dia para o outro bani o glúten, os produtos lácteos, açúcar refinado e a carne e comecei a comer alimentos completos,
numa dieta baseada nas plantas. Levou 18 meses até me sentir novamente bem e a abandonar a medicação, mas resultou!

Foi o livro Crazy Sexy Diet  da americana Kris Carr [que tinha tido um cancro e mudara radicalmente a forma como se alimentava] que mudou a sua perspetiva em relação à comida. Como é que isso aconteceu?
Tinha feito muita pesquisa online e a história da Kris Carr era tão inspiradora que eu quis experimentar tudo o que ela tinha feito. Deu-me esperança pela primeira vez em quase um ano. Senti que podia ficar melhor, foi uma sensação incrível. O livro inspirou-me a mudar a minha vida e aquelas mudanças curaram-me. Foi fantástico sentir-me de novo com forças!

Até essa altura aquilo que comia era errado, demasiadas pizas, hambúrgueres... Não se preocupava com isso antes de adoecer?
Não comia comida saudável: odiava fruta e vegetais e vivia de massa, chocolate e gelado! Também era uma grande carnívora, por isso foi difícil passar disso para uma alimentação saudável da noite para o dia. Também não fazia ideia do que comer e levou algum tempo para começar a gostar de vegetariano.

Qual a principal diferença entre o que costumava comer e aquilo que ingere agora? Ou melhor: o que não comia antes que passou a comer?
Agora como imensas plantas, coisa que nunca tinha comido antes.

Como descreveria a sua filosofia atual sobre comida e viver bem?
E.W. Começar devagar! Estava tão desesperada que cortei com o açúcar, os laticínios e gluten de uma só vez, mas não recomendo que se faça assim, porque é muito difícil transformar os hábitos alimentares de repente. Em seguida, adicione coisas em vez de as retirar. Adicione uma dose extra de fruta e vegetais a cada refeição: talvez frutos vermelhos ao pequeno-almoço, abacate ao almoço e alguma verdura ao jantar. Depois, experimente os smoothies, que são uma ótima maneira de ingerir muitos vegetais de uma forma deliciosa. Experimente coisas simples, como uma mistura de frutos vermelhos, banana, espinafres e flocos de aveia para começar; não vai sentir os espinafres, mas far-lhe-ão muito bem. É importante não nos sentirmos culpados. Comer desta forma não deve ser um peso, tem de ser agradável. Temos de encontrar um equilíbrio: se comer desta forma durante 20% do tempo funcionar para uma pessoa, então está perfeito! Não se trata de uma dieta rigorosa, por isso não exclui a piza ou o chocolate, mas temos de tentar atingir a moderação com tudo. Aprecie tudo aquilo que come: esta deveria, talvez, ter sido a minha primeira dica, uma vez que é a mais importante. A comida deve ser uma coisa divertida!

O que a inspira mais para continuar a tentar novas combinações de alimentos?
O adorar comer e partilhar isso com os meus amigos, família e seguidores. E ver todos os dias criações fantásticas no Instagram.

Todos passamos por desafios. Como lida com os seus, o stresse e as dificuldades?
Muitas vezes senti-me prestes a desistir, mas acho que isso é normal quando se lida com uma doença. O ioga ajudou-me muito, tal como a meditação. Procuro focar-me nos progressos que fiz, embora alguns dias possa ter dado alguns passos atrás...

A receita de ELLA

Musse rápida de chocolate e abacate

Ingredientes
2 abacates maduros
4 bananas bastante maduras sem casca (400 g)
12 tâmaras Medjool , descaroçadas
4 colheres de sopa de manteiga de amêndoa 5 colheres de chá bem cheias de cacau
cru em pó
opcional: uma pitada de xarope de ácer
opcional: sementes de chia para decorar

Preparação
Corte os abacates ao meio e retire-lhes a casca e o caroço. Coloque a polpa num processador de alimentos.
Ponha os restantes ingredientes no processador de alimentos com um pouco de água e o xarope de ácer, se estiver a usá-lo, e bata até obter uma mistura deliciosa e homogénea. Divida o preparado por 4 taças ou pequenos copos e decore com sementes de chia, se tiver optado por utilizá-las.
Deixe no frigorífico até à hora de server

Procuro focar -me nos progressos que fiz, embora alguns dias possa ter dado alguns passos atrás...

Quais os seus pratos habituais para as três refeições do dia?
Gosto de flocos de aveia e abacate sobre uma torrada de pão de centeio para o pequeno--almoço, uma salada com quinoa, batata-doce, húmus e vegetais para o almoço, e qualquer coisa quente para o jantar, como caril ou guisado.

Se escolhesse um alimento para comer vezes sem conta, o que seria?
A minha receita de bolo de ganache de chocolate, do meu segundo livro, que é divinal!

Que artigo está sempre na sua lista de compras ou que tem sempre em casa?
Adoro abacates, tâmaras e manteiga de amendoim.

O que a faz rir, sorrir e ser alegre?
O meu noivo Matthew, a minha família e amigos e o meu cão Austin.

Qual a sua parte preferida no desenvolvimento do seu livro de receitas, As Delícias de Ella?
Vê-lo terminado finalmente como produto acabado foi tão incrível, surreal e recompensador. Estava tão emocionada!

Tem uma receita favorita nesse livro?
A dos brownies de batata-doce.

Numa das fotos está a abraçar um cão. É seu? Ele partilha as suas receitas e tem opinião sobre elas?
Ah, esse é Alfie, o cão da minha mãe! E gosta das receitas todas, esteve a comer os bolinhos todos durante a sessão fotográfica!

Onde se vê daqui a um par de anos?
Não faço ideia, mas acho que gostaria de estar a partilhar comida saudável com o maior
número de pessoas possível.

Tem planos que gostasse de partilhar?
Abri recentemente, com o meu noivo, o meu restaurante novo, o Mae Deli, em Londres. Estou muito feliz por já estar a funcionar, depois de seis meses de tanto trabalho.

Esse restaurante é baseado nas suas próprias receitas ou é aberto a outras?
Toda a comida é inspirada no As Delícias de Ella e mantém-se sem glúten, sem laticínios e sem açúcar refinado. Também é todo vegan, com exceção da galinha e do salmão, que podem ser adicionados a qualquer prato. Quisemos que todas as pessoas com uma preferência alimentar
pudessem ir ao Deli e apreciar uma comida que se baseia em plantas.

Como é para si um dia perfeito?
Ioga ao nascer do sol, um dia na praia em Mustique com todos os meus amigos, família, cães e o Matthew, e um jantar delicioso para todos.

Esteve a tirar um curso de Naturopatia e Nutrição. Como correu? Foi útil?
Aprendi muito. Foi muito mais profundo do que as leituras que já tinha feito e fiquei a saber muito sobre o corpo humano e a ciência que está por detrás da sua forma de funcionar. É muito exigente e os exames são duros mas valeu mesmo a pena.

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