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Entrevistas

Diogo Piçarra

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"É bom ver que me conhecem na rua."

A sua primeira manifestação musical foi querer ter uma bateria, mas acabou por receber uma guitarra...
Nessa altura nem sequer cantava... Tinha as minhas bandas preferidas e só depois apareceu o “bichinho” de querer aprender qualquer coisa. Foi aí que quis aprender bateria, mas os meus pais não deixaram porque vivíamos num apartamento: não existia espaço para a bateria e havia vizinhos. Acabei por escolher a guitarra e lá comecei a aprender os primeiros acordes, aqueles que toda a gente aprende: do Dunas, do Homem do Leme e comecei a cantar por cima da guitarra e fiquei surpreendido, porque nem eu sabia, aos 17 anos, que tinha alguma voz, que conseguia cantar... 

A partir daí, então, foi um mundo novo?
Foi, de facto. Comecei a escrever as minhas próprias músicas, tinha um grupo e ia escrevendo os versos e reparei que conseguia compor, sem nunca ter estudado música e sem bases em teoria musical. O grupo, entretanto, acabou e eu fui desenvolvendo a minha escrita. Quatro anos depois, fui estudar para a República Checa, fazer Erasmus no meu curso de Línguas e Comunicação.

Porquê a República Checa?
Procurei qualquer coisa completamentediferente, a começar pela língua, que é de facto muito estranha, sem nenhuma relação com línguas latinas ou anglo-saxónicas. O meu desejo era a Rússia, mas não consegui vaga, e não me arrependo nada, é um país ótimo para viver. Descobri lá que nós, portugueses, ainda temos muito para aprender em matéria de Cultura, Organização Social e, até, na limpeza das ruas... É um povo que se levanta às seis para trabalhar (e trabalha até às seis da tarde), mas, em compensação, a partir da hora de almoço de sexta já estão de fim de semana...

E o curso era com a intenção de vir a ser o quê?
Queria ser professor de línguas ou tradutor ou jornalista. Não tinha ainda um rumo definido, queria alguma coisa relacionada com Comunicação... Mas sempre com a música em
fundo. E quando regressei a Portugal, queria fazer alguma coisa na música, sozinho, com os meus originais.

E como começa a divulgar essas músicas?
Isso foi uma coisa feita a meias com o meu irmão, que arranjou uma câmara, e fazíamos vídeos para o YouTube. Foi assim que me fui dando a conhecer a Portugal e pouco depois surgiram os programas, o Ídolos e a Operação Triunfo, nos quais participei. Fiz castings em muito lado, mas só recebi um “sim” na vida: foi no Ídolos, e decidi agarrar a possibilidade. Consegui ganhar e aproveitar o prémio que me levou até Londres durante seis meses, para estudar música. Finalmente, aos 21 anos, estava a estudar música!

Quando volta de Londres e grava o disco [Espelho], passa a ser mais conhecido. É uma responsabilidade acrescida?
A música, o prémio e depois o disco vieram mudar a minha vida toda: desisti do mestrado de Ciências da Linguagem – ficou a faltar um ano, mas posso retomar – e optei por dar prioridade àquilo que me estava a acontecer, que era a música. Quando se passa a ser reconhecido pelas pessoas, estas ficam à espera que se lhes dê mais e foi o que eu fiz. O pior de tudo é que a nossa vida privada fica bastante mais reduzida, mas é bom ver que me conhecem na rua, até quando vou às compras.

Tem um método de trabalho para a composição?
O artista musical é diferente do escritor, que escreve todas as manhãs. O músico é mais notívago. Falo por mim: antes de me deitar estou sempre uma hora ou duas ao computador.

E a inspiração ou simplesmente a ideia para uma nova canção surge de onde?
É do nada e de tudo: da música que toca em fundo, de um verso, do passar os dedos pelo piano. Ou de frases que leio, de um filme. E dos sonhos...

Tem um irmão gémeo. Ele faz uns concertos e o Diogo outros?
Ah, era bom, para descansar! Mas não, somos muito diferentes, somos gémeos falsos: ele é louro, eu moreno, ele é mais musculado, é mais desportista. É futebolista, já jogou no Farense, no Portimonense... No Algarve há menos oportunidades do que no centro do país. Ele é designer e ajuda-me imenso, foi ele que fez a capa do disco, ajuda-me a fazer os vídeos...

E de quem são os braços [na capa do Espelho]?
Os braços são da minha namorada...

Ah, ficou tudo em família!
Tudo em família, até porque o meu pai é ilustrador.

Também há um livro...
É verdade. A ideia foi escolher 20 poemas meus e chamar-lhe Diogo Piçarra em Pessoa e eu ler os poemas de Pessoa para os mais jovens serem incentivados a ler. Era uma missão nobre, mas era também uma responsabilidade muito grande. O que acontece no livro é que o Pessoa tem o poema Tabacaria e eu tenho a Livraria; ele tem o Álvaro de Campos e eu tenho uma senhora, que se chama Luna, e outro heterónimo meu é o Valter Ego, e ainda o Ingénuo, que é um senhor cubano. E tudo isto é apresentado nas escolas como uma peça de teatro, em que alguém faz de mim e outro ator faz de Pessoa e dialogam os dois. No final eu canto duas músicas, uma com um poema do Pessoa e outro meu.

Como foi ser convidado a participar numa campanha e uma empresa como o Continente, em 2015, para o regresso às aulas?
Foi com grande surpresa e gratidão que recebi o convite, principalmente por estar a ser usada a minha música como mote e os meus versos como slogan para uma campanha de regresso às aulas gigantesca e tão conceituada como a do Continente: “Hoje Quem Manda És Tu!”.

Que frutos tirou dessa participação?
Obviamente uma aproximação maior aos meus fãs e o facto de a minha música entrar a toda a hora na casa das pessoas foram alguns dos frutos desta minha participação.

Como é que trata de si? Ou é a sua namorada?
Eu é que trato dela, porque eu posso comer de tudo que não engordo... Devem ser os genes. Na altura da puberdade, com a acne, cortei com os refrigerantes, os fritos, uma série de coisas. E mantenho esta espécie de regime dez anos depois. Até mudei os hábitos lá de casa: acabou-se o fast food, mãe, vamos comer saudável!

Exercício físico?
Desde sempre: karaté, corrida sempre que posso. Quando desisti do futebol (cheguei a ser federado), mantive a corrida. E sou um amante do skate.

Respostas Rápidas


LIVRO DE CABECEIRA
Diogo Piçarra em Pessoa, meu e de Fernando Pessoa.


UM FILME
Interstellar, de Christopher Nolan.


DESTINO DE ELEIÇÃO
Londres.


MAIOR DEFEITO
Não saber dizer que não.


MAIOR VIRTUDE
Não me deslumbrar facilmente.


O QUE APRECIA MAIS NOS SEUS AMIGOS
A lealdade.


PEÇA DE ROUPA PREFERIDA
Gosto de Casacos.

BANDA PREFERIDA
Twenty One Pilots.

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