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Entrevistas

Diogo Amaral e Vera Kolodzig

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"Namoramos durante todo o ano"

O  vosso livro Nós Por Aí  relata uma viagem de quase quatro meses pelo outro lado do mundo, no Sudeste Asiático. O que foi – ou quem foi – que “lançou o fósforo ao rastilho” dessa ideia?

Durante a nossa viagem por África, escrevemos um blog para partilhar as nossas experiências com família e amigos. A certa altura tornámos esse blog público e a partir daí eram
muitas as pessoas que nos perguntavam quando escreveríamos um livro. Um dia recebemos um telefonema de uma revista a perguntar quando seria lançado o livro (que ainda não existia!) e percebemos que esse sonho poderia tornar-se realidade. Quando demos por nós, estávamos numa reunião na Leya a discutir pormenores do livro, que afinal seria acerca da nossa primeira grande viagem juntos e não sobre a viagem do blog.

Foi uma decisão do momento, aparentemente, mas já estavam juntos há oito meses. Durante esse período, a ideia nunca surgiu, mesmo que sob uma forma mais básica?

Estávamos a gravar a novela Espírito Indomável e já falávamos em fazer as malas, não foi propriamente uma decisão do momento. Decidimos que iríamos só com bilhete de ida, por tempo indeterminado e assim que a novela acabasse. Acabaram as gravações e dois dias depois estávamos no aeroporto de Lisboa.

São os dois atores. Aproveitaram quatro meses de férias para a vossa aventura ou recusaram trabalhos para a viver?

Na nossa profissão não há propriamente “férias”, mas decidimos que estaríamos “indisponíveis” durante esse período.

Cruzaram-se na novela Espírito Indomável. Nessa altura já notaram que havia de comum aos dois esse “espírito indomável” de aventura?

A paixão por viajar foi uma das muitas coisas que descobrimos que tínhamos em comum.

Levavam à partida apenas uma viagem de avião e uma reserva de hotel. Não se sentiram assustados por ser uma viagem “sem rede”?

Não, gostamos desse lado imprevisível. Tínhamos, de facto, a intenção de partir apenas com um bilhete de ida e uma reserva de hotel. Mas não pudemos cumprir essa intenção, porque tivemos  problemas no check-in  do aeroporto. Não nos deixavam embarcar se não tivéssemos a viagem de regresso, de forma que tivemos mesmo de comprar os bilhetes de volta. Foi um pequeno revés em relação ao que tínhamos planeado. Em relação ao “sem rede”, as coisas foram simples: tínhamos acabado uma novela, aproveitámos o period de pausa que se seguiu. Não se pôs a questão de recusar trabalhos para podermos ir de viagem. Nem sequer se levantou a questão de termos de ter muito dinheiro de parte para o podermos fazer: o Sudeste Asiático tem, como se sabe, um custo de vida muito barato e nós íamos de mochila às costas e sem intenções de ficarmos instalados em hotéis de quatro ou cinco estrelas, até porque não é muito a nossa onda. Gostamos de nos perder nos sítios para onde vamos. Fomos mesmo à aventura, sabendo que tínhamos um limite: quando chegarmos ali temos de voltar para trás. E para isso não tivemos de vender tudo o que tínhamos...

Houve coisas que correram bem, outras nem tanto: quais foram as mais desagradáveis que vos aconteceram?

A mais desagradável foi provavelmente a possibilidade de nem chegar a partir por não termos bilhete de regresso - complicaram-nos a vida no check-in , como já explicámos.

E as mais memoráveis no sentido positivo?

É um pouco difícil resumir 207 páginas...Aconteceram tantas e tantas coisas que é complicado estar a escolher esta ou aquela. Uma das mais memoráveis, para mim [Diogo], foi quando pus os óculos de snorkeling  e mergulhei a cabeça naquelas águas. Viajar, para nós, é sempre uma aprendizagem e voltamos sempre com outra forma de olharmos para as coisas.


Foram pais, não há muito tempo. A vossa viagem, agora, seria impossível. A sequência dos dois factos foi pensada?

A viagem não seria impossível, alias encontrámos muitos pais com filhos. Uma criança muda a maneira como fazemos as coisas. Seria mais complicada, possivelmente, no sentido de que teríamos de optar por outras coisas. Se fossemos fazer, por exemplo, uma visita de canoa a umas grutas interessantíssimas, se tivéssemos um bebé de colo connosco provavelmente não o teríamos feito. Não íamos à gruta, íamos a outro sítio. Até porque queremos voltar a viajar assim que for possível.

De que forma esta viagem mudou as vossas vidas?


Basicamente, quando saímos da nossa  rotina estamos sempre à espera de ser surpreendidos e ficamos mudados, claro. Depois de qualquer viagem fica-se com um olhar diferente sobre tudo.

Muitas vezes, se calhar, estiveram longe de lugares civilizados. Como resolviam problemas de alimentação, por exemplo?

Nunca tivemos problemas de alimentação. Quando vamos para um lugar diferente estamos preparados para que as coisas sejam efetivamente diferentes. Aconteceu-nos, desta vez, que em algumas ocasiões estávamos longe de um local muito habitado. Mas as pessoas são muito simpáticas, afáveis e acolhedoras e era fácil bater à porta de uma casa e pedir para usarmos a cozinha.

Nessas alturas, que cozinhavam? Têm jeito para a cozinha?

Temos muito pouco talento para a cozinha, para falar verdade. Nenhum de nós...Nessas alturas, o que fazíamos era comprar um peixe e grelhá-lo, coisa simples, ou fazê-lo em papelotes, se encontrávamos uma casa. Mas havia uma grande oferta e não havia obstáculos. Era aquela coisa do “quem tem boca vai a Roma”...

De todos os países que visitaram, quais as iguarias mais estranhas que comeram?

Nas Filipinas comemos ballut  - um ovo cozido que é já um embrião de pato. Na Tailândia [o Diogo] também experimentou baratas, que é normal naquele país. Como nós aqui temos rulotes de cachorros quentes, lá há banquinhas a vender todo o tipo de insetos, desde larvas a baratas, aranhas...

Desde que voltaram fazem em casa alguns dos pratos de que mais gostaram pelo Oriente?

Trouxemos um livro de receitas asiáticas e tentamos algumas vezes as coisas mais simples e que nos ensinaram lá. Podemos dar a receita de uma sopa que se come muito na Tailândia e que é a que fazemos mais vezes.

A propósito agora do Dia dos Namorados, que se comemora dia 14 de fevereiro, que espaço dão aos gestos românticos?

Nós aproveitamos esse dia para justificar os gestos românticos que temos um para com o outro nos outros dias todos. O Dia de S. Valentim é para fingir que não fazemos isso várias vezes, pois namoramos durante todo o ano.

Fazem planos especiais para viver essa data? Quais?

Apesar do que dissemos, assinalamos  a data com qualquer coisa diferente, um jantar especial, por exemplo.

Já têm anos de experiência de televisão. Qual foi o papel que mais gostaram de fazer?

Para mim isso é a mesma coisa que perguntar de que filho se gosta mais – quando se tem mais de um. Mas costumo salientar o papel que fiz na série Equador . Foi uma experiência que me marcou, porque era um miúdo e fui para o Brasil três meses para trabalhar. Senti-me um privilegiado por ter entrado nesse projeto. Se tivesse de salientar um, seria esse.

Como está a ser a experiência de integrar o elenco da sequela de Jardins Proibidos?

Está a ser muito bom trabalharmos juntos outra vez. Para mim é a primeira vez, portanto é uma experiência nova, mas para a Vera, que já entrara na primeira novela, está a ser um reviver o passado, foi o primeiro papel dela e voltar a fazer o papel com que se estreou é fantástico. É um prazer, para os dois, participar numa novella que foi tão marcante.

Quem são os vossos “mestres” em termos de representação?

Não vamos poder responder a essa pergunta. É que são tantas as pessoas, que corríamos o risco de deixar alguém de fora, o que seria injusto.

Veem-se a fazer outra coisa que não a representação? Essa foi sempre a paixão da vossa vida em termos profissionais ou houve tempos em que pensaram enveredar por outra via?

O que gostamos de fazer é representar. Essa foi uma opção que nos apareceu na vida e seguimo-la porque gostamos. Tal como teríamos seguido outra coisa qualquer, se precisássemos de ganhar dinheiro para viver. Mas isto é a nossa paixão.

É uma profissão que gostariam que o vosso filho seguisse?

Dizíamos-lhe logo que estava deserdado...Não, é a brincar! Se ele tivesse esse gosto, claro que sim. Terá toda a liberdade para escolher o que quiser fazer, e terá todo o nosso apoio. Exceto se escolher ser piloto kamikaze  [risos]...

 

Diogo e Vera num minuto

Qual é maior qualidade de cada um de vós?

V.K.: Muito organizada.

D.A.: A honestidade.

E o maior defeito?

V.K.: Ser muito bonita [respondeu o Diogo].
D.A.: Preguiçoso.

O que é que mais apreciam nos vossos amigos?

V.K./D.A.: As escolhas de vida que fazem.

Os vossos autores preferidos?

V.K/D.A.: Não respondemos por ser contra a nossa religião [risos].

Qual é a vossa palavra favorita ?

V.K.: Amor.
D.A.: Saudade.

Qual é o vosso lema de vida?

V.K.: Aproveita o dia.
D.A.: Segue o que sentes.


“Gostamos de nos perder nos sítios para onde vamos . Fomos mesmo à aventura , sabendo que tínhamos um limite: quando chegarmos ali temos de voltar para trás"


Receita de Diogo e Vera

Sinigang na Boboy

Ingredientes
10 sementes de tamarindo
1 kg de carne deporco
1 cebola
4 tomates
1 rábano
5 string beans (feijão-verde asiático)
½ chávena de folhas kangkong (uma espécie de
espinafre)
4 inhames
2 siling haba (pimento verde comprido)

Preparação
Corte a carne, os tomates, os string beans e os siling haba aos pedaços e o rábano às rodelas; descasque e corte os inhames ao meio e pique a cebola.

Coza as sementes de tamarindo e depois amasse-as para extrair o sumo.

Numa panela coza a carne de porco até ficar tenra. Junte a cebola, os tomates e o sumo de tamarindo. Adicione o inhame e deixe cozinhar até engrossar.

Adicione o rábano e os string beans e coza até ficarem tenros. Por último, acrescente as folhas de kangkong e os siling haba e deixe cozinhar um pouco.

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