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Entrevistas

D.A.M.A

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Vamos tendo sonhos cada Vez maiores

Muitas pessoas ficam intrigadas com o nome que deram ao grupo, que é o acrónimo de "Deixa-me Aclarar-te a Mente Amigo". Como surgiu a ideia do nome?
Este foi o nome que ficou desde que o grupo surgiu, cujo projeto era ter letras com sentido, que não fossem coisas inócuas e com que as pessoas se identificassem. E apesar de, uns anos depois, olharmos para trás e acharmos que o nome é um bocado caricato – é, de facto, uma coisa de putos –, quando profissionalizámos o grupo, não o quisemos mudar. Também porque continua a ser a nossa missão: letras com que as pessoas se identificam, compor temas que as pessoas não cantem só porque sim, mas porque se identificam com ela. De alguma maneira, porque se sentem aclarados pelo tema.

Como é que o grupo começou?
Na altura da gravação das primeiras músicas, quem fazia parte do grupo era o Francisco Maria Pereira, o Miguel Coimbra, a Pipa e o Francesco. Passados alguns anos ficou só o Miguel e o Francisco, e o teclista, o Francesco, e foi a esse núcleo que se juntou o Miguel Cristovinho, em 2010. A partir daí começámos a compor sempre juntos. E quando fechámos com a nossa agência
atual o Francesco decidiu que não queria ser agenciado, que queria ser apenas teclista. E ficámos assim…

Houve uma evolução desde a profissionalização?
Claro, é como em qualquer atividade ou arte. A experiência dá-nos sempre bagagem, dá-nos calo. É evidente que aquilo que escrevemos quando temos 15 anos é diferente do que escrevemos quando temos 25. Pensamos que a todos os níveis houve uma evolução. A nível de palco, então, nem se fala. E nós já temos mais de 300 concertos nas pernas, por isso vamos para um
espetáculo com uma ideia completamente diferente do que fazíamos há cinco anos. E essa evolução reflete-se também nas músicas que agora compomos, tanto para nós como para outros artistas.

Portanto, gostam mais das músicas que fazem agora?
Nós costumamos dizer que gostamos sempre mais da última música…

Se calhar as primeiras eram mais ingénuas?
Se calhar… Mas ingénuo não é mau! Às vezes até procuramos ir aos sentimentos que tínhamos mais no início que é para não nos perdermos no nosso caminho. Tentamos outros caminhos, mas sem perder a nossa identidade.

Diziam no Facebook que andavam constantemente à procura de novas sonoridades.
Isso é verdade.

O vosso contacto com outras pessoas, de outros géneros musicais, certamente que contribui para isso.
Claro que sim. Uma das canções que marcaram o nosso passado foi o Não Faço Questão, que gravámos com o Gabriel o Pensador. Passou de nosso ídolo a nosso amigo. E ele, que tem 40 e poucos anos, parece que tem a nossa idade… Nunca tínhamos feito nada à base do funk e quando começámos quisemos ir buscar uma nova sonoridade. Depois de gravada, pensámos que o Gabriel podia ter alguma coisa a acrescentar àquela música – e acabou por ter. Era o que poderia ser um dueto improvável e que resultou.

Diz-se que o vosso verdadeiro salto se deu quando fizeram a primeira parte dos One Direction. É verdade?
É de supor que sim. Se olharmos para trás, aconteceram tantas coisas! Mas se procurarmos “o” momento, talvez tenha sido esse, de facto. Porque foi um choque para nós: já tínhamos algumas músicas a passar na rádio, o Desajeitado e o Luísa, mas foi um choque chegarmos ao Estádio do Dragão e depararmos com aquelas pessoas todas à nossa espera e a cantar as nossas
canções. Nunca nos tinha acontecido. Mas convém especificar que estavam lá muitas dezenas de milhares de pessoas jovens, que mandam nas redes sociais, por assim dizer e, por isso, nos deram uma alavancagem maior.

Antigamente os artistas andavam atrás das editoras com cassetes e, os mais avançados, com CD. Também passaram por isso?
Em termos de agência, mandámos mails para tudo o que era sítio, a dizer: “Ouçam as nossas músicas, ouçam o Popless que anda a passar na rádio”. Ninguém pegou em nós, exceto a Glam. No que respeita à etiqueta tivemos várias propostas. Quando chegámos à Sony, o Paulo Junqueiro perguntou se tínhamos mais músicas. Tinhamos levado a guitarra e tocámos ali uma série
delas. E o Paulo disse-nos: “Costuma dizer-se ‘vamos ver o que podemos fazer por vocês’. Mas no vosso caso é não fazer nada, sejam vocês e tenho a certeza de que a coisa resulta.”

O Youtube é hoje uma ferramenta indispensável?
Completamente. Achamos que a Internet tem dois aspectos muito importantes: em primeiro lugar, a comunicação, e depois, o fator opinião. Se pusermos dez músicas na Internet, sabemos qual aquela que teve melhores respostas, que foi mais procurada. Ao passo que se pusermos o disco à venda num distribuidor, sabemos que compraram o disco, mas não temos a informação de
qual é a música preferida.

Embora já tenham dois discos, ainda recorrem muito às músicas do primeiro?
Acho que nos custava deixar de tocar a Balada do Desajeitado ou Luísa, ou Às Vezes: são músicas que marcaram. Não as tocar era como se os Guns’n’Roses fossem atuar a um sítio qualquer e não tocassem o Sweet Child of Mine!

São muito abordados na rua?
Um bocadinho, não muito… Mas acho que isso tem a ver com o facto de em Portugal os músicos não terem o grau de “estrela”. Cá, dá-se mais atenção a quem sai nas revistas e os músicos estão um bocado à margem disso.

Têm consciência de que a fama é uma coisa efémera e que o sucesso de hoje amanhã pode não existir?
Não pensamos que um dia vai acabar. Quando estamos a fazer uma coisa de que gostamos, só pensamos em fazer mais… Temos que ser fiéis a nós próprios e, sendo fiéis, se um dia as pessoas deixarem de gostar do que fazemos, pronto, fechou-se um círculo.

Ganha-se muito, a ser músico?
Se se ganha muito? Ganha-se o coração cheio…

Falava em termos materiais…
Acho que hoje em dia, quando se tem sucesso, ganha-se bem em qualquer área. Nós não somos ricos, mas temos uma vida desafogada.

Que podem os vossos fãs esperar do grupo?
O mesmo empenho, seguramente. E vamos procurar fazer coisas diferentes, até porque a nossa maior ambição é ambicionar alguma coisa mais. E vamos tendo sonhos cada vez maiores…

Dar um espectáculo requer preparação física e psicológica: como se preparam?
Mentalmente é capaz de ser mais difícil. Mas a nível físico fazemos exercício juntos (parece que não nos fartamos uns dos outros), pois temos o mesmo personal trainner. A nossa agência também é implacável quanto ao nosso descanso.

Cuidados com a alimentação?
Estamos sempre uns em cima dos outros, a esse respeito. Temos cuidados, é imprescindível.

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