António Raminhos | Chef Continente
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Entrevistas

António Raminhos

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“A realidade é a melhor ficção"

Em que projeto se sentiria à vontade - se é que algum?
Em nenhum! Nunca me sinto, inicialmente, à vontade porque acuso sempre a responsabilidade. Mesmo que seja algo tão simples como fi z há uns dias de dar um testemunho sobre um tema. Fico sempre a pensar que as pessoas estão à espera de algo e tenho medo de as dececionar.

Pensou voltar a ser jornalista se o humor não corresse bem?
Sinceramente, nunca pensei em voltar. As coisas foram correndo bem, portanto não havia necessidade de pensar o que iria fazer se corressem mal. Já fi quei sem trabalho nesta área, como é normal, e aí tive de ir à procura, como acontece de tempos a tempos, mas nunca mais na área do jornalismo!

Viveu intensamente a profissão de jornalista?
Claro! Ainda foram alguns anos de redação. Muitas horas a escrever, ao telefone, a transcrever entrevistas. Isso era a parte mais chata de tudo. Mas havia dias que entrava no jornal às 10 da manhã e saía às 10 ou 11 da noite.

Quando começou a sentir que o humor era a sua vocação?
Não sei se era bem vocação. As coisas foram acontecendo. E pensei: “Bom, se é para ter um trabalho incerto, mais vale ter um trabalho incerto a fazer algo mais divertido”. Ainda hoje não considero vocação. Acho uma mistura de persistência e sorte.

Quem lhe achou graça a primeira vez?
Ui, não sei! A minha mulher não foi de certeza!

Que características deve ter um bom humorista?
Ser fiel a si mesmo. Como disse um amigo meu comediante, o Rafi nha Bastos, não mendigar risos. Não ir à procura daquilo que as pessoas gostam, mas pensar no que é que as pessoas gostam em mim. O que é que eu digo ou faço para que as pessoas gostem de mim.

Quais as suas 8 fontes de inspiração?
As de qualquer comediante: a vida. Aquilo que nos rodeia, as nossa experiências e vivências. A realidade é a melhor ficção.

Se não fosse o humor, para onde se teria virado?
Sei lá! Já quis ser tanta coisa. Até homem do lixo! Fascinava-me os camiões do lixo à noite.

Teve alguma situação divertida com um fã?
Eu tenho um íman que atrai sempre os mais malucos ou bêbados ou, muitas vezes, os dois casos misturados, o que é o pior de todos. Dedico sempre tempo às pessoas e já me cruzei com tantas que as coisas vão ficando perdidas, mas houve uma vez uma (eu até conto melhor a história no novo espetáculo) que me disse ao ouvido que já tinha sonhado que estava na cama comigo.

E uma situação menos agradável?
Um gajo que me disse que já tinha sonhado que estava na cama comigo. Estou a brincar! Felizmente nada de especial.

Isto de ser humorista é para qualquer um?
Acho que há muita gente com talento e ideias, mas é preciso trabalhar, é preciso lutar. Não é vestir um blazer e ver séries e dizer-se que é comediante. Porque o difícil é ter que ter graça todos os dias e viver disso e pagar contas. Tenho muito menos pressão para criar se viver sem família ou em casa dos pais.

E ser pai é para qualquer um?
Ser pai é das melhores e das piores coisas do mundo. É conhecer um amor incondicional e saber que faremos tudo por aquelas crianças e ao mesmo tempo ter medo de tudo. Das doenças, das quedas, dos problemas. E, mesmo assim, estamos cá na luta todos os dias. Seria muito mais fácil ser pai se não me preocupasse. Mas isso não era ser pai, era só ser procriador.

Como são as três Marias?
Como todas as crianças. Chatas e uns amores. Tornamo-nos reféns!

Quando um dia não lhe corre bem, o que faz para dar a volta?
Nada! Espero que passe! Como se calhar a maior parte das pessoas.

Quais as suas fragilidades, os seus medos?
Constante medo de errar, de não estar seguro, de desconhecer o futuro… mas estou a trabalhar tudo isso para ver se reduzo a um só!

Nunca pensou: "Queria agradar a toda a gente, mas é impossível?"
Constantemente, até que desisti. Muitas vezes ainda penso nisso, porque queria que toda a gente gostasse, mas isso é impossível.

Falemos de projetos atuais. Já os tem?
Estou com o novo espetáculo de stand-up comedy, O Melhor do Pior, que tem tido salas cheias e uma excelente recetividade por parte do público. Sobretudo porque as pessoas vão à espera de uma coisa e acabam por perceber que o espetáculo é muito mais do que um espetáculo de comédia. Em setembro estarei também num novo projeto ligado ao digital e às rádios que poderá ser muito giro, mas, como a malta costuma dizer, não posso adiantar muita coisa [no momento desta entrevista].

Há áreas que gostaria de experimentar no futuro?
Telenovelas e cinema de terror! Gostava! É algo que tenho curiosidade de perceber como funciona!

Quais as áreas que mais receia?
Geralmente tenho uma atração pelo abismo. Há desafios que me colocam que inicialmente não me veria a fazer e, de repente, lá estou e a pensar: “O que é que estou aqui a fazer!”

Diz-se por aí que é um cozinheiro de mão-cheia…
Ui! Por acaso, eu e a minha mulher dividimos muito o espaço da cozinha lá em casa. Eu fi co com o frigorifi co geralmente. Estou a brincar… até me safo, sim.

Quais os seus pratos favoritos e os restaurantes que mais gosta de frequentar?
Gosto de comer bem e de quase tudo… não tenho um prato assim favorito. Gosto é de comer bem e como vivo numa zona de peixe, a Ericeira, corro vários… e sem ordem de preferência… como O Pirolito, Terra e Mar, Brisa, Tasca da Boa Viagem, Furnas, A Canastra, Estrela do Mar, o João da Vila Velha… Sei lá, tantos, e de certeza que me estou a esquecer de algum. Por outro lado, também sou adepto de comida saudável e aí paro muito pelo Espaço Cura, o Gig ou BeU Ericeira… E não passo também sem um croissant ou merenda da Saloia.

Pode dar-nos uma receita que goste de fazer?
Gosto muito de frango com gengibre. Tempere o frango com sal, pimenta e gengibre e deixe a descansar por cerca de 30 minutos. Aqueça um fio de azeite e quando estiver bem quente frite o frango passado por farinha. Deixe o frango dourar de todos os lados e acrescente cebola bem picada… Depois reparo que fiz asneira e vou à charcutaria do Continente buscar um frango assado.

 

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