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Entrevistas

Anabela Teixeira

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Como artista, sinto que posso alimentar a esperança na vida das pessoas.

É defensora de um planeta mais verde e de uma alimentação cuidada, tendo em vista uma vida equilibrada. Como, quando e porquê surgiu esta sua preocupação?
A.T. Surgiu em 2011, ao fazer uma personagem com cancro. Li muito sobre a doença, falei com muitas pessoas e percebi que a alimentação baseada na agricultura biológica podia prevenir não só esta como outras doenças. Como os meus avós eram agricultores, a minha relação com a agricultura e a natureza foi sempre ecologista, de muito respeito pelo que a terra nos oferece e a forma como devemos tratar plantas e animais. Esta noção de como dependemos todos uns dos outros sempre esteve presente na minha vida através das experiências com a natureza que tive desde a minha infância na aldeia.

Começou a escrever diariamente para o blogue Voltar à Terra (http://voltaraterra.pt), que criou em 2015. Quer falar-nos deste seu projeto?
A.T. Começou como uma forma de me aproximar do público que gosta do meu trabalho de atriz e, como gosto de escrever, foi também uma maneira de mostrar esta minha vertente mais ligada ao ambiente e a todas estas preocupações relacionadas com a ecologia. Também seguia outros blogues do género e lia livros que me inspiravam; foi uma maneira de usar a tecnologia a favor do planeta e também de partilhar a forma como mudei os meus hábitos. A minha agente Rita Carrelo incentivou-me imenso a fazê-lo e tive o apoio do meu marido, tanto na mudança de hábitos como em tudo o que faço.

Como lhe surgiu a ideia para o nome do blogue?
A.T. Eu gostava muito da palavra terra e “ir à terra da avó” sempre fez parte das frases que mais ouvi e continuo a ouvir, na minha vida. Ainda hoje, continuo a ouvir: “Quando é que
vamos à terra da avó”. O verbo voltar surgiu desta necessidade urgente que temos de olhar para a terra de forma responsável, não dando como garantido o planeta, ou seja, percebendo que as alterações climáticas são uma realidade que está associada aos nossos hábitos de consumo. Voltar às origens, ao contacto com os animais… Voltar não significa um andar para trás, mas sim um resgate do que existe de bom no que os nossos avós têm para nos ensinar, honrar e dignificar.

Qual tem sido a resposta a esta sua iniciativa digital e a este desafio?
A.T. Muito boa. As pessoas estão interessadas e percebem que comer menos animais é saudável, saboroso e não alimenta uma indústria imensa e que é responsável pela desflorestação do planeta. Depois há movimentos como o Desperdício Zero, as hortas comunitárias, as moedas ecológicas, as eco-aldeias… As formas de vida alternativas são cada vez mais uma procura. Também o consumo de alimentos, cosméticos e produtos de limpeza ecológicos e certificados aumentou no nosso país e em muitos países no mundo. Estive numa feira em Madrid chamada Biocultura com mais de 800 expositores todos certificados. Um mundo da sustentabilidade.

O seu blogue acabou por dar origem a um livro com o mesmo título. No prefácio de Voltar à Terra (edição Arena), Ana Zanatti diz que “a física moderna veio pôr em causa a filosofia cartesiana afastando o ser humano de si mesmo e da Natureza.” A evolução científica e tecnológica são, na sua opinião, a “mãe” de todos os males?
A.T. A Ana Zanatti foi maravilhosa ao aceitar escrever este prefácio, acompanhou o blogue desde o início e como é uma ecologista e ambientalista muito informada, era a melhor pessoa para o fazer. Fiquei muito feliz por ela ter aceitado o meu convite. Tal como eu, a Ana gosta de viajar e ambas sabemos o quanto é mais prático e rápido andar de avião em vez de andar de carroça; ter computadores para escrever; enviar emails em vez de cartas que podem demorar meses. A tecnologia, como disse, aproxima-nos, mas também altera as formas de ver o mundo e de comunicar. Podemos viver no meio do bosque e ter internet. Um dos maiores ecologistas neste momento é também um dos criadores de carros elétricos e de formas de irmos a Marte – estou a falar do Elon Musk.

Inverter esta situação é um novo desafio perante um mundo com muita coisa a descobrir? É fazer do nosso planeta tão degradado um local possível para as novas gerações?
A.T. Há muitos movimentos, pessoas que se estão a juntar nos seus bairros, nas suas cidades, para praticar comércio justo e fazer mercados ecológicos, pessoas que criam as suas hortas no quintal, em varandas, hortas comunitárias. Aconselho que vejam o filme Amanhã, da atriz e realizadora Mélanie Laurent. Partilha de uma forma positiva o que poderá vir a ser o futuro do planeta se estivermos ativos e atentos.

Entre as suas dicas sobre alimentação, a importância do yoga e da meditação, pode descrever-nos como é o seu dia-a-dia?
A.T. Num dia em que não tenho gravações vou ao ginásio, tanto em Madrid, como em Lisboa. Todos os dias preciso de contacto com a natureza. Num parque, num jardim. Não como carne, cozinho refeições vegetarianas e tento comer peixe só três vezes por semana. Como sempre de duas em duas horas, como me aconselha o meu nutricionista, Dr. Tomás Barbosa. Bebo muita água. Como fruta. Vou ao supermercado biológico e nas grandes superfícies compro sempre produtos certificados. Procuro ir aos mercados, conhecer os produtores. Faço yoga, danço. Vejo filmes, leio. Vou ao teatro, ao cinema, ver exposições. Alimentar a minha alma de atriz é muito importante. E saio com o meu marido, família e amigos. Nas folgas, vamos sempre conhecer as montanhas, as aldeias. Agora quero ir ver neve. Muita neve. Será a minha primeira vez.

Todas as dicas sobre alimentação e comportamentos que publica tiveram (ou são reflexo de) mudanças em si própria. Pode enumerar algumas?
A.T. Por exemplo, as limpezas ecológicas. Não tenho produtos com químicos em casa. Faz-me sentir bem em relação ao que segue pela água dos canos da minha casa para o resto do mundo. E sinto grande diferença no ar que se respira: cheira sempre a flores e a plantas. Não uso perfumes sem ser orgânicos ou cremes de corpo ou champô ou amaciador. São tudo produtos sem químicos. Tenho sempre óleo essencial de lavanda na carteira. Não vou ao médico, nem fico doente há muito tempo.

Os seus avós eram agricultores, desde os quatro anos de idade que está perto da Natureza. Isto para si foi determinante para ter a posição que tem hoje?
A.T. Sem dúvida nenhuma, como disse anteriormente, tanto o blogue Voltar à Terra como o livro ou até o espetáculo com o mesmo nome, são um projeto de vida que honra as minhas origens. Uma homenagem aos meus avós que me deram o maior tesouro que poderia ter: o contacto privilegiado com a natureza.

Dado que a sua alimentação é muito própria e especial, qual é o seu prato favorito?
A.T. Neste momento de inverno, refogado de cebola, espinafres, cogumelos e feijões vermelhos acompanhados com massa de espelta e brócolos cozidos. Quentinho e cheio de nutrientes. Junto uns tomates cherry ou de outra qualidade. Uma maravilha!

Gosta de cozinhar?
A.T. Muito! Sou filha e neta de boas cozinheiras.

Quais são os seus projetos mais próximos como atriz?
A.T. Este ano vão estrear trabalhos dos quais me orgulho muito de fazer parte: a série 1986, de Nuno Markl e Henrique Oliveira, na RTP1, e o filme Leviano, de Justin Amorim. Vou fazer teatro em Madrid e em Portugal. E outros trabalhos dos quais não posso ainda falar, mas que farão de 2018 um grande ano!!!

Uma vez disse que a sua profissão era uma missão de amor e paixão. Continua a achar o mesmo?
A.T. Sempre! Junto à missão de amor e paixão ainda a solidariedade. Este ano pretendo fazer um espetáculo Voltar à Terra solidário em Oleiros, a terra da minha infância, que foi devastada pelos fogos. Como artista, sinto que posso alimentar a esperança na vida das pessoas. Haverá também aí uma apresentação do livro.

Há uns anos esteve quase oito meses no Oriente. Que ensinamentos recolheu?
A.T. Há tanto a aprender com o Oriente. Numa palestra com o realizador iraniano Asgar Faradhi, que venceu dois Óscares de melhor filme estrangeiro, ele dizia que
no oriente não há esta fixação pelo nome, pela assinatura, pelo ego. Tudo é de todos. A partilha é algo simples, normal, faz parte da vida. Nessa viagem senti que a espiritualidade no Oriente, assim como a alimentação e o exercício físico, ou mesmo a medicina chinesa ou ayurvédica, são holísticas – o ser humano é visto como um todo. No Ocidente separamos mais as coisas. Esta tendência de dar nomes a tudo… A burocracia tira-nos imensa energia.

O que a faz feliz e realizada?
A.T. Fazer trabalhos com prazer e amor. A felicidade das pessoas que amo: do meu marido, da minha mãe e irmão. A minha avó, tios, primos, amigos – todos felizes e com saúde.

O passar dos anos assusta-a?
A.T. O passar dos anos oferece-me beleza e sabedoria. Não gostava de voltar a ter 10, 20 ou 30 anos. Sim, gosto muito da minha idade.

 

Respostas Rápidas

Qual é o seu maior medo: A morte do meu marido
Qual a sua maior extravagância: Viajar muito.
Que talento mais gostaria de ter: Dançar e cantar a um nível na Broadway
Qual considera ser a sua maior conquista: Continuar a adorar ser atriz.
O que mais valoriza nos seus amigos: O sentido de humor, a alegria, a aceitação.
Com que figura histórica mais se identifica: Jeanne d´Arc.
Que pessoa viva mais admira: Malala Yousafzai (ativista paquistanesa, prémio nobel da Paz em 2014).
Qual é o seu lema de vida: Um dia de cada vez.
Se pudesse mudar uma características em sim o que seria: Não ter 12 graus de miopia.
Qual é a sua asneira favorita: Carago (dito pelo pessoal do Norte).
Qual é o bem mais valioso que tem: O diário que tenho desde os seis anos.
Considerando que Deus existe, o que gostaria que ele lhe dissesse: Vais entrar no próximo filme do Pedro Almodóvar.

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