Ana Garcia Martins | Chef Continente
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Entrevistas

Ana Garcia Martins

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Blogue, A Pipoca Mais Doce

“Criei-o para escrever à vontade, para me divertir”

Porque queria escrever num registo pessoal e informal que o jornalismo não lhe permitia, Ana Garcia Martins criou o blogue A Pipoca Mais Doce. Hoje, oito anos depois, o blogue é um caso sério de popularidade e tornou-se numa marca de sucesso com vários produtos associados.

O seu blogue A Pipoca Mais Doce já tem oito anos de existência. Como lhe surgiu a ideia?

A.M. O blogue nasceu em 2004 e coincidiu com a altura em que comecei a trabalhar como jornalista. Rapidamente percebi que o jornalismo não me permitia escrever sobre tudo o que eu queria, no registo informal e pessoal que queria, por isso o blogue pareceu-me uma boa plataforma para o fazer. Uma espécie de diário dos tempos modernos.

É um dos blogues mais visitados em Portugal (35 mil pessoas por dia). Tem uma explicação para isso?

A.M. Penso que tem a ver com a duração do blogue e com um sentimento de identificação por parte dos leitores. O blogue acompanha-me desde os 23 anos e, desde então, fui sempre falando de vários temas comuns às pessoas da minha idade, como o trabalho, os namorados, ou o gosto por sapatos. É normal que as pessoas se reconheçam em várias situações.

O sucesso tem sido enorme. O que é atualmente A Pipoca Mais Doce?

A.M. Continua a ser um blogue pessoal, que fala de várias coisas, mas talvez com uma maior incidência em moda. Acho que continua a ser bastante transversal. No início de 2011 o blogue transformou-se também numa marca registada, com vários produtos associados, como uma linha de vernizes, de roupa, de cremes, uma agenda e uma aplicação para iPhone.

A chegada da publicidade ao blogue mudou completamente a sua vida. Pode dizer-se que A Pipoca é o seu principal meio de subsistência?

A.M. A par da minha loja, que abri no final de 2011, e da minha marca, o blogue é a minha principal ocupação e, consequentemente, a maior fatia dos meus rendimentos provêm daí. Deixei o jornalismo para me dedicar a 100% ao blogue e a todos os projetos a ele associados e, até agora, não me arrependo da aposta. Foi uma decisão difícil de tomar, mas acredito que foi a mais acertada.

Ana Martins num minuto

Prato preferido:
Massa. Qualquer
uma!

Bebida preferida: Coca-Cola Zero.

Defeitos e virtudes: Defeito? Talvez seja ser excessivamente
irónica. Virtude?
A capacidade
de me rir de mim mesma.

Não pode passar sem… O iPhone.

Livro de cabeceira: Neste momento,
A Grande Arte, de Rubem Fonseca.

Sonho por
concretizar:
Escrever
um romance.

Destino de eleição: Rio de Janeiro.

Portugal é?...
Um pequeno
paraíso, apesar
de tudo.

Essa publicidade tem alguma interferência nos conteúdos editoriais?

A.M. Não. Não me associo a nenhuma marca com a qual não me identifique ou que considere desinteressante para os leitores. Já perdi algumas parcerias por causa disso, mas penso que é importante deixar essa linha bem definida. Faço a gestão editorial do blogue como se de um jornal ou de uma revista se tratasse. A parte publicitária é negociada por uma equipa de comerciais, à semelhança de qualquer outra publicação. Não passa por mim, e prefiro que seja assim, por uma questão de isenção.

Mais do que uma página onde expõe as suas ideias, o blogue é um negócio que se expandiu…

A.M. Quando criei o blogue, há quase nove anos, não fazia a mínima ideia do sucesso que viria a ter. Estava longe de imaginar que teria o número de leitores que tem ou que poderia fazer dinheiro através dele. Criei-o para escrever à vontade, para me divertir, e continua a ser assim. Pelo meio, a crescente popularidade foi-me trazendo algumas oportunidades que, obviamente, não podiam ser desperdiçadas. Mas não olho para o blogue como um negócio. É um projeto meu, com muitos anos e no qual tenho bastante orgulho.

O blogue deu origem a um livro e a um CD com as suas preferências musicais: como correram as vendas?

A.M. O livro correu bastante bem, teve duas edições e foi a verdadeira rampa de lançamento do blogue. Quanto ao CD, as vendas foram menores, mas a ideia era assinalar a criação da marca A Pipoca Mais Doce. Foi o primeiro produto licenciado.

Quanto tempo dedica por dia ao blogue?

A.M. Praticamente o dia inteiro. Quando não estou ligada ao computador estou atenta ao que se passa através do telemóvel. E estou sempre a pensar em conteúdos e em assuntos que quero abordar no blogue. Estou muito atenta ao que se passa à minha volta, porque quase tudo pode dar um bom post.

Publica no blogue coisas que diz serem “banais”, como os looks que aprecia, os sapatos que acabou de comprar ou as aventuras com o Pipoca Móbil, o seu carro. Como explica que coisas “banais” sejam um sucesso assim?

A.M. Acho que tem a ver com o tal sentimento de identificação que já referi. As leitoras veem-me como alguém igual a elas, uma miúda perfeitamente normal, com os mesmos gostos, as mesmas dúvidas, as mesmas vivências. Para muita gente sou uma amiga que está ali do outro lado do ecrã.

É qualificada como fútil em alguns blogues, nomeadamente no A Pipoca Mais Azeda… Inveja?

A.M. O blogue tem um lado assumidamente fútil, que me parece comum a todas as mulheres. Todas nós, em maior ou menor escala, gostamos de sapatos, de roupa, de nos sentirmos bonitas. Ter esse rótulo não me incomoda, porque sei que tenho muitos outros interesses para além disso.

A blogosfera é um meio cada vez mais valorizado, com um retorno de investimento bastante interessante?

A.M. Nos últimos anos as marcas despertaram para o fenómeno dos blogues, perceberam que era uma plataforma interessante para se promoverem e para chegarem de forma mais efetiva ao seu público-alvo. Acredito que o facto de se divulgarem através dos blogues lhes permite um feedback muito mais imediato e verídico.

Embora continue a trabalhar na área, pode dizer-se que o jornalismo ficou em segundo plano?

A.M. Foi uma escolha consciente. Segui jornalismo por gostar de escrever, e é isso que quero fazer, através do blogue, dos livros e de algumas parcerias.

Sente-se a Carrie Bradshaw [protagonista da série O Sexo e a Cidade] portuguesa?

A.M. Era bom, mas não. Em comum só temos o gosto por sapatos e o facto de estarmos ligadas à escrita. Mas convém não esquecer que ela é uma personagem de ficção que vive em Nova Iorque e que tem acesso a tudo.

Fala muito de sapatos no blogue. São uma paixão? Quantos pares tem? Quem são os seus criadores preferidos?

A.M. Fui apurando o gosto por sapatos ao longo dos anos. Acredito que um par de sapatos é 

O livro correu bastante bem, teve duas edições e foi a verdadeira rampa de lançamento do blogue. 

Quanto ao CD, as vendas foram menores, mas a ideia era assinalar a criação da marca.

suficiente para compor um look e para tornar uma mulher mais interessante. Tenho algumas dezenas, mas há alguns que têm um lugar especial, como os Louboutin, os Manolo Blahnik, os Jimmy Choo ou os Marc Jacobs. Mas ainda tenho alguns desejos por realizar neste campo. Por exemplo, uns Charlotte Olympia, uns Nicholas Kirkwood ou uns Giuseppe Zanotti. Vou construindo a minha coleção aos poucos.

Chamaram-lhe “a mulher mais invejada de Portugal”. O que significa isso para si?

A.M. Esse “título” veio de um concurso online promovido por uma marca. Os meus leitores votaram em mim e acabei por ganhar, mas não acredito que tenha sido por sentirem qualquer espécie de inveja de mim. Foi, talvez, uma forma de mostrarem o seu apoio.

Como é ser casada com outro bloguer de sucesso [Ricardo Martins Pereira, autor de O Arrumadinho]?

A.M. É engraçado, temos sempre histórias para partilhar. Mas os nossos blogues são muito diferentes e não nos envolvemos nos conteúdos que cada um escreve.

Nos dias de hoje de crise e desemprego, como é que este tipo de blogues se encaixa nesta realidade?

A.M. Há quem acuse os blogues de fomentarem excessivamente o lado consumista das pessoas, mas acho que há espaço para tudo e cada leitor tem de saber fazer a devida triagem daquilo que lê. Acredito que há um lado aspiracional forte, mas ninguém desata a comprar tudo e mais alguma coisa só porque viu num blogue. Por outro lado, acho que a retração total também não beneficia em nada a economia. Acredito que a crise vai fazer com que as pessoas se tornem mais criativas na forma como se vestem, e mais inteligentes na forma de gastar dinheiro. E acho que os blogues podem ter um papel preponderante nisso.

É uma expert em moda. Quais vão ser as tendências para este inverno?

A.M. Padrões geométricos, numa só peça ou em look total, peles e pelos (sintéticos), peças de inspiração militar, peças oversized ou preto total.

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