Albano Jerónimo | Chef Continente
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Entrevistas

Albano Jerónimo

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Ator na novela Dancin' Days. Representar foi uma paixão galopante.

Reservado no que respeita à vida privada, entusiasta quando se refere ao teatro, inflamado sempre que fala dos projetos futuros. Albano Jerónimo, 33 anos, é um dos protagonistas da versão portuguesa da novela Dancin’ Days.

É difícil descobrir coisas a seu respeito na Internet…


A.J. Isso é bom sinal! O Kevin Spacey diz uma coisa com muita graça: “um ator tem de manter um lado de mistério e um lado desconhecido”. E o Marlon Brando costumava dizer: “atenção que não podes gastar todas as caras que tens, porque só tens umas tantas”… Portanto, passa um bocado por isso, a gestão que faço da imagem.


Tirando o seu site, que é lindíssimo, pouco mais descobrimos.

A.J. Boa!

Ser ator foi o seu desejo de sempre?

A.J. Não, não, de todo! Eu até estava em Ciências e aos 17, 18 anos, comecei a fazer teatro amador. E essa vontade, esse desejo, esse amor foram crescendo, e tudo isto se deve ao facto de ter encontrado o meu primeiro mestre em teatro, que foi o Mário Rui, do Grupo de Teatro Esteiros de Alhandra,  que me ensinou, sobretudo, a paixão pela palavra. Essa relação ainda hoje se mantém e espero que se mantenha durante muitos anos. Mas sobretudo deu-me o prazer de descobrir como a palavra habita em mim e no meu corpo ao ponto de me apaixonar perdidamente e de concorrer ao Conservatório. Entrei e ainda lá estava quando começaram a surgir convites e depois foi como uma bola de neve: uma coisa chama a outra, as pessoas iam ver coisas e depois chamavam-me para outras… Digamos que foi galopante, esta paixão.

E qual foi o primeiro papel?

A.J. Foi em teatro, na peça A Floresta, de David Mamet, encenada pelo Luís Fonseca na Casa Conveniente. Em televisão foi a Lusitana Paixão, uma novela de época escrita pelo Moita Flores e baseada em Os Maias e A Cidade e as Serras, de Eça de Queiroz. E foi assim uma terapia de choque, o Mamet e o Eça…

A crise que o país atravessa, que atinge também a Cultura, obriga os atores a recorrerem às novelas, embora este não seja um género menor?

Mas sobretudo deu-me o prazer de descobrir como a palavra habita em mim e no meu corpo 
ao ponto de me apaixonar perdidamente e de concorrer 
ao Conservatório.


A.J. Não o é, de todo, nem sequer redutor. No entanto, essa procura existe e essa vontade também, porque em novela conseguimos ter um vencimento muito acima do teatro ou do cinema. Essa procura, de facto, é real e existe. Mas o estado das coisas é sufocante. Enquanto artista, tenho de estar atento àquilo que me rodeia – e é isso exatamente o que esta situação me provoca. Torna-me ativo, porque é deprimente a descaracterização do estado da Cultura, das pessoas que neste momento estão a passar fome, pessoas com famílias e com filhos que, literalmente, não têm dinheiro. E tudo isto, como é óbvio, me afeta, no sentido de que me empurra para a frente e de eu dizer: “tenho de trabalhar mais ainda, tenho de dar mais de mim”. A crise obriga-me a estar mais presente, porque essa é também a minha função.

Para mais é um pai relativamente recente, tem uma família para a qual tem de prover sustento, o que torna tudo mais premente…

A.J. É um facto. Antigamente, esta preocupação com o futuro (ou este conceito de futuro) não existia ou não estava tão presente na minha vida. Mas hoje em dia é inevitável: as circunstâncias mudaram, a realidade das coisas à minha volta mudou, e isso muda-me e transforma-me. Considero-me uma pessoa atenta ao que está à minha volta e obviamente estou diferente. Tenho 33 anos e também penso no meu futuro, que é o meu presente, aqui e agora, é com ele que posso construir algo para os dias vindouros. Mas isso também deu origem a uma coisa muito interessante que vou desenvolver neste ano de 2013: uma parceria com a Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, um trabalho direcionado para várias vertentes (social, educativa e de voluntariado) exatamente pela pertinência do estado das coisas. E esse conceito da “figura pública” (com que não concordo, acho que é um falso conceito), a existir só nestas alturas é que faz sentido, que é quando se pode emprestar o eco do nosso trabalho a algo mais nobre, como vai ser o caso.

Há mais pormenores sobre esse projeto?

A.J. É, sobretudo, uma vontade enorme de atenção “ao outro”. Porque isso é algo que me define como pessoa, e que eu quero que me defina cada vez mais. É que esta profissão tem essa vantagem, como consequência do meu tipo de trabalho, nomeadamente novelas e televisão, acabo por ter uma visibilidade diferente e se puder canalizá-la para qualquer coisa mais nobre e proveitosa, como é o caso, fá-lo-ei.

Supomos todos que o ritmo de gravação de uma novela deve ser alucinante. Às vezes não dá vontade de ter uma (outra) vida?

A.J. Dá, sobretudo, vontade de ter mais tempo para passar com as pessoas de quem mais gosto, os meus amigos, a família… Mas sim, às vezes dá vontade de parar. Felizmente, tenho conseguido manter essa sanidade (ou essa frescura) porque tenho feito muito teatro.

Mas é um esforço e tanto, não?

A.J. É muito desgastante. Estamos a falar de gravações cinco dias por semana, a levantar às sete, sete e meia, para chegarmos aqui às oito, prontos a gravar às nove e sairmos daqui às sete ou oito da noite. E quando se tem teatro à noite, sai-se de casa às sete e chega-se à uma e meia da manhã… Por isso me forço a ter férias fazendo teatro e cinema.

Vimo-lo em Liberdade 21 em que era o galã, no meio daquela gente toda. Dá-se bem com este tipo de papéis?

A.J. Prefiro pensar noutro aspeto desse lado do galã: prefiro pensar que as pessoas que me contratam acham que eu tenho uma determinada imagem para fazer determinados papéis. E tento trabalhá-los de outra forma, tento preenchê-los. Já que essas pessoas acham que, exteriormente, tenho aquilo que é preciso para um determinado papel, eu penso: “deixa-me cá preencher o interior”… Se tenho isso, vamos lá – mas jogando de uma forma subterrânea. Mas tenho tido a felicidade de me conseguir livrar desse estigma, porque tenho feito coisas muito diferentes.

Recebeu o prémio de Melhor Ator no 
Shortcutz de 2010, com Anestesia e foi nomeado para Melhor Ator no Festival de Monte Carlo, com Cidade Despida. Os prémios são importantes para si?

A.J. Têm importância, sim. Porque para mim esse é o momento para agradecer às pessoas que trabalharam comigo e que me ajudaram de uma forma mais visível, digamos assim. E, obviamente, é sempre bom sermos reconhecidos pelo nosso trabalho. Isso é estimulante. É um… miminho!

Tem cuidado consigo, a nível de alimentação saudável e exercício?

A.J. Tenho, claro. Faço cardiofitness, como se diz agora e que é, nada mais, nada menos, que correr. De facto, preocupo-me por uma única razão, a de que tenho de estar fisicamente apto para qualquer trabalho que me apareça. E fazendo desporto e tendo uma alimentação correta, contribui para ter uma melhor condição de vida. O meu corpo é a minha realidade e nessa perspetiva tenho de cuidar dele.

Costuma cozinhar? O quê?

A.J. Gosto sobretudo daquilo que a cozinha me dá, ou que a comida me dá, que é outro tempo na minha vida. É uma pausa que eu faço: “agora vou-me só preocupar em cortar esta cebola ou esta batata. Ai que bom!” É um momento de descanso e de prazer, porque estou a fazer qualquer coisa que me dá gozo e vai dá-lo também às pessoas de que gosto.

Albano num minuto

Livro: Tenho vários…Mas posso referir O Chão de Pardais, de Dulce Maria Cardoso.
Filme: Os filmes são tantos!!! Benny’s Video, do Michael Haneke. É dos primeiros filmes dele.
Uma peça de teatro: Uma que vou fazer agora, Dramaturgia Portuguesa, no Teatro Nacional
D. Maria II, texto e encenação de Cláudia Lucas Chéu e que vai estrear em Junho.
Um prato: O que é que ia agora? Ia um salmãozinho grelhado, com legumes e batatinha!
Uma canção: La Javanaise, do Serge Gainsbourg.
Com quem gostava de contracenar: Com a pessoa com quem, se tudo correr bem, estarei na peça que vamos fazer em Setembro na Culturgest, A Pocilga, do Pasolini: a Rita Blanco.

Gosto sobretudo daquilo que a cozinha me dá, ou que a comida me dá, que é outro tempo na minha vida.

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