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Do Funchal a Santana com espetadas e poncha

Bela por natureza, a Madeira é uma verdadeira atração pelas suas paisagens e temperaturas amenas durante o ano inteiro, mas também pelas suas gentes e sabores tradicionais. Durante três dias, fomos à descoberta da gastronomia regional daquela que é considerada a "pérola

do Atlântico".

Para quem chega à Ilha de noite, o cenário visto do avião é deslumbrante. À medida que o momento da aterragem se aproxima, deparamo-nos com pequenos pontos de luz que desembocam no Funchal e sentimos a magia desta ilha invadir-nos o pensamento. No dia seguinte e após uma noite descansada no Hotel Four Views Baía, uma opção de alojamento que nos surpreendeu pela positiva, acordámos num oitavo andar com vista para a cidade. Embora o céu estivesse nublado, foi possível ir até à varanda ouvir o som do mar, que está um pouco por toda a ilha... E assim, com os sentidos apurados, iniciámos o nosso roteiro gastronómico.

Neste primeiro dia, fomos conhecer a zona este da ilha, fazendo o percurso pela costa em direção a Santana, a 36 km do Funchal. E lá fomos nós... deliciados com as montanhas verdejantes, as flores na berma da estrada, as cascatas de água e, claro, a infinitude do mar. Santana é conhecida pelas famosas "Casas de Santana", mas o que nos trouxe até aqui foi uma outra casa... O Cantinho da Serra. Um restaurante caseiro com ambiente rústico e uma lareira sempre acesa, onde fomos recebidos por uma das três gerentes, a Nivalda, que nos sugeriu algumas iguarias. Para a entrada, há sempre vários petiscos feitos com ingredientes da ilha, como é o caso do bolo de atum ou a carne em vinha d'alhos. Saboreámos depois um delicioso Polvo à Lagareiro, bastante temperado com segurelha - erva aromática parecida com tomilho - e ainda arranjámos espaço para o Bacalhau à Pastor, uma especialidade do Cantinho da Serra que se nos derrete na boca... Tudo isto acompanhado por um suave vinho tinto regional. Quando pensámos que a refeição terminara, eis que chegam à mesa três licores caseiros, um prato com bolachas e um doce de ameixa, também caseiro. Nesta altura, com uma boa disposição contagiante, Nivalda sentou-se connosco para partilhar histórias, numa conversa que viria a prolongar-se tarde afora. Mas o nosso roteiro tem de continuar e, por isso, voltámos ao hotel para descansar um pouco antes do jantar. Apenas a 7 km do Funchal, Câmara de Lobos oferece alguns locais onde comer a famosa "espetada regional". A nossa escolha foi para o restaurante Ginja. Entre as entradas, a espetada acompanhada por bolo do caco e milho frito, o vinho regional e uma salada de frutas tropicais, é caso para dizer que a refeição soube "que nem ginjas". Mas a tradição já não é o que era e as espetadas são agora feitas em espetos de ferro, ao invés do pau de loureiro, por questões de higiene. Com muita pena nossa, é certo, porque a carne ficava mais saborosa. No final, depois de um café, fizémos um regresso tranquilo ao Funchal.

Naquele que é o segundo dia do roteiro gastronómico, não há sinais de nevoeiro e, por isso, fomos conhecer a zona da baixa do Funchal. Como era sexta-feira, as ruas e o comércio fervilhavam de movimento, sendo este o dia ideal para conhecer o Mercado dos Lavradores, um ex-libris da cidade. Assim que entrámos, fomos invadidos por uma explosão de cor, sons, cheiros e sabores, já que é permitido provar no momento as frutas mais variadas. Aqui, é impossível não parar em cada banca... seja das frutas, dos legumes, do peixe ou até das floristas, vestidas com trajes tradicionais, que vendem flores e sementes da ilha. Sem darmos conta, é chegada a hora de regressar ao Four Views para um almoço "surpresa", preparado pelo Chefe Octávio Freitas. Além de ser um orador nato, que adora partilhar a sua arte, o Chefe gosta de satisfazer os sentidos através de uma cozinha de autor que não abdica dos produtos regionais. E com isto, almoçámos na esplanada junto à piscina. Para abrir o apetite, nada como bebericar um copo de vinho branco, até que fomos surpreendidos com a "Sinfonia de peixes", um prato feito com três qualidades de peixe, envolto em cebola, pinhões e groselha, que nos deixou rendidos. Para terminar a tarde, regressámos à cidade para apreciar as antigas praças de calçada portuguesa e os jardins espalhados pelo Funchal. Como o jantar será no restaurante Casa de Abrigo do Poiso, a 1400 m de altitude, seguimos caminho para o Poiso. Sob a gerência do atencioso Adriano Fernandes, o restaurante é ponto de passagem obrigatório, servindo todos aqueles que aqui vêm beber uma poncha e saborear a "Açorda com ovos e segurelha". De facto, numa zona onde o frio está muito presente, esta especialidade aquece-nos em apenas alguns segundos... e nem o bolo de mel, que rematou o jantar, conseguiu mudar a sensação.

No terceiro e último dia de viagem, partimos de manhã para os Prazeres, na zona oeste da ilha. Em caminho, parámos na Calheta, para visitar o Centro das Artes - Casa das Mudas, um edifício premiado pela sua arquitetura. Quando se chega aos Prazeres, é no largo da igreja que estão concentrados alguns restaurantes, como o Prazeres Rurais, onde almoçámos. Aqui, além de provarmos um pão caseiro feito pelas mãos da padeira Anita - que fomos encontrar por detrás de um forno de pedra - saboreámos uns lombinhos de porco que se desfaziam na boca. No fim, bebemos uma poncha à moda da casa - com aguardente, mel, laranja e tomate inglês - e um licor de vinho caseiro que nos levou a ter uma longa conversa com Francisco de Bettencourt, dono e cozinheiro, sobre as suas aventuras na África do Sul. Por fim, o regresso fez-se com uma passagem pela Taberna da Poncha, para mais um copo desta bebida típica, e terminou com um pôr-do-sol no Funchal, a lembrar que faltava pouco para o jantar.

Para finalizar um roteiro gastronómico da Madeira, nada como saborear o peixe que é apanhado nas águas costeiras. Na marisqueira O Barqueiro, por exemplo, encontrámos uma grande variedade de peixe fresco, do peixe-espada às castanhetas... todos eles característicos da ilha. Pedimos então uma mista de peixe para duas pessoas, que daria para três... e nem as entradas, como as gambas à guilho, nos persuadiram a deixar de provar todas as espécies do prato principal: mexilhão, lulas, dourada, linguado, espadarte, entre outras. Com uma sangria de frutos vermelhos prestes a chegar ao fim, enchemos o último copo da noite e da viagem, para brindar à Madeira, uma ilha que nos acolheu com a sua gastronomia simples, mas rica em sabores.

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