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A bondade das vinhas velhas

| Aníbal Coutinho

11-04-2017 19:04

Começam a chegar às prateleiras os vinhos brancos e rosés da última colheita de 2016. Afetada por doenças durante a última Primavera húmida, a vinha nacional perdeu uma parte significativa da produção de uvas. Consequentemente, 2016 foi uma colheita com menor quantidade de vinho produzido, em média, com uma quebra de 15% (aprox. 90 milhões de kg). Mas a qualidade dos vinhos é superior, muito pelo contributo das vinhas velhas.

Produção segura e equilibrada
A grande diversidade genética das nossas vinhas velhas, mais aclimatadas às adversidades, enraizadas em perfeito equilíbrio com a sua envolvente, faz com que o número e a qualidade dos seus frutos sejam muito mais constantes ao longo dos anos. Esta sabedoria das vinhas velhas contribui, significativamente, para que a quebra de produção na última vindima não tenha sido mais acentuada. Se é verdade que uma vinha bem conduzida e aramada pode produzir três a quatro vezes mais do que uma vinha plantada apenas com o apoio de uma cana (vinha em vaso), também podemos pensar que essa enorme produção pode esgotar mais rapidamente a videira, levando-a à exaustão e à decadência prematuras.

O que é uma Vinha Velha?
Nos rótulos das garrafas, a expressão Vinhas Velhas continua a disseminar-se, o que é perfeitamente normal num país como Portugal onde a presença da vinha e do vinho antecede a Nacionalidade. Esta designação ainda não se encontra legislada. Quer dizer que a definição de vinha velha ainda não é consensual, podendo remeter para uma cultura com 30, 50 ou 75 anos de idade, não havendo limite mínimo de idade, a não ser no critério de bom senso do produtor e da Entidade Certificadora. A modernização dos sistemas de condução das vinhas também tem impacto nessa definição. Creio que o conceito de vinhas velhas deve remeter para essas vinhas retorcidas e pouco alinhadas mas com aderência equilibrada à envolvente natural e com uma produção que resulte do seu processo de subsistência ecológica e sustentável. Nesse sentido, os anos 80 marcaram o início da modernização da viticultura portuguesa. Um dia que se pense em legislar as vinhas velhas, talvez se possam considerar vinhas com sistemas arcaicos de condução e um mínimo de 40 anos de vida como requisito para a menção no rótulo.

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