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[um prato, uma casta] Açorda Alentejana + Antão Vaz 

| Gourmets Amadores

28-05-2018 10:05

Há receitas e vinhos que parecem ter sido criados para ser apreciados em conjunto. Junta-se à mesa o que a terra dá e o Homem sonha e, na cozinha como na adega, é a natureza que põe e o cozinheiro / enólogo dispõe! Os frutos e ervas que se encontram no campo têm com frequência caminhos paralelos e acabam servidos em pratos e copos que se encontram à refeição. As castas que fazem os vinhos adaptam-se ao terreno e as suas características assumem perfis diversos consoante o terroir, tal como as combinações de aromáticas e outros ingredientes que se tornam particulares da região que as usa.

Da cultura alentejana do desperdício zero, da imaginação e do engenho, nasce uma cozinha feita de simplicidade e parcos recursos transformados em sabores mil. Cozinha-se com pouco para muitos e há sempre para mais um. É assim a história da sopa de pão feita de azeite, ervas e caldo de bacalhau onde às vezes também se encontra um ovo: faz-se um piso com alho, sal, coentros e poejos que se solta com azeite e a que se adiciona um ovo batido; deita-se o caldo acabado de levantar fervura e serve-se de imediato com fatias fininhas de pão da véspera. E o que acompanha a simplicidade de uma açorda?

Um copo de branco espera sereno ao lado do prato. No mapa enológico do Alentejo encontra-se uma zona com condições climatéricas específicas onde as uvas Antão Vaz se sentem em casa. É na Vidigueira que esta casta de aromas tropicais e cítricos se transforma em brancos com corpo e bem estruturados que fazem boa companhia à açorda. De tanto se apresentarem a par, é como se a planície extensa onde os tintos são reis se tivesse dado ao trabalho de oferecer o branco certo para a sopa que faz parte da alma de todos os alentejanos. Da próxima vez que comer uma açorda, faça a homenagem completa e combine-a com um branco da Vidigueira com Antão Vaz. Não se há-de arrepender!

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